Red Hot Chilli Peppers encerra ‘Rock In Rio gigante’

Estadão Conteúdo

A última noite da temporada 2017 do Rock in Rio será hoje (24), com mais uma noite do peso que tem marcado a maior parte dos shows deste segundo fim de semana. As atrações seguem uma ordem em que as toneladas de decibéis do som que produzem aumentam e diminuem, conforme a vertente do rock que representam. O Red Hot Chilli Peppers fecha a noite com a braveza de Anthony Kiedis, o baixista Flea (em um dos raros casos de um baixista se sobrepondo ao guitarrista em uma banda), o baterista Chad Smith e o guitarrista Josh Klinghoffer.

Há uma propulsão rítmica que já havia atraído mais de 120 mil pessoas à frente do palco principal em 2001, quando o Rock in Rio teve seu recorde de público para uma banda. Antes desses californianos, nenhuma formação no rock pós anos 80 havia distribuído tão bem doses de punk, funk e metal e em sete ou oito minutos de uma canção. Havia tudo ali, mas entregue de uma forma que chegou tudo como se fosse um novo estilo. Clássicos como Under the Bridge e Californication terminam o festival de hoje em alta voltagem em território seguro. Não haverá novidades nem riscos. Diversão garantida.

Antes deles, o astro de filmes como Réquiem para um Sonho e Clube da Luta, o também cantor Jared Leto, volta de frontman do Thirty Seconds To Mars para uma apresentação das mais aguardadas da noite. Os números que conquistou à frente da banda impressionam. São mais de cinco milhões de cópias, 12 prêmios MTV, um Billboard e um Guinness Book Record pela mais longa turnê da história. Ainda sem repertório novo (um novo álbum é prometido para sair até o ano que vem), eles se apegam ao repertório clássico. Leto deixou uma cena para a galeria das imagens inesquecíveis do Rock In Rio. No festival de 2013, ele saiu do palco em pleno show, subiu pela enorme escada que leva à estação de embarque da tirolesa e fez todo o percurso à frente do Palco Mundo.

O Offspring antecede Leto com o mesmo potencial explosivo. Eles chegaram à marca das mais impressionantes em 1994, quando fizeram o álbum Smash. Foram mais de 11 milhões de cópias de um punk rock que, a partir daí, começou a ser levado a sério. Uma outra marca diz respeito à canção Pretty Fly (for a White Guy), a mais baixada da história da internet. Sobre suas influências, o grupo cita The Adolescents, Bad Religion, Channel 3, Dead Kennedys, Descendents, The Dickies, Ramones, Sex Pistols, Social Distortion, TSOL e The Vandals. Só para se ter uma ideia do que vem pelo palco na noite deste domingo.

A abertura do Mundo será do Capital Inicial. A banda brasiliense de Dinho Ouro Preto já esteve em algumas edições, mas pode considerar a de 2001 a mais especial. Foi lá, no primeiro Rock in Rio do século, que o Capital renascia em uma apresentação inacreditavelmente contagiante. Primeiros Erros, com participação de Kiko Zambianchi, provocou um movimento em forma de onda gigante na plateia de 120 mil pessoas. A carreira do Capital, daquela apresentação em diante, passaria por uma revalorização que não conhecia desde o auge dos anos 80.

Cidade virou Estado

A edição de 2017 será lembrada como a que fez o que era a Cidade do Rock se tornar um Estado. Com capacidade para receber por dia o triplo das 80 mil pessoas que poderiam estar ao mesmo tempo no antigo espaço, também em Jacarepaguá, a nova área pensada por Roberto Medina e sua filha, Roberta, reforçaram o conceito de parque de diversões. Desde a edição de 2011, Medina pai tem apostado na transferência de protagonismo do projeto de sua vida, dos palcos para os brinquedos.

Foi uma ideia que se mostrou acertada por algumas razões. Se fosse apenas um festival de música pop, o Rock in Rio não existiria mais, não nas mesmas dimensões. Quando as pessoas compram bilhetes, chegando a esgotá-los, antes mesmo de saberem a atração que estará nos palcos, o que elas estão comprando é uma ideia, não uma banda. O próprio Medina, em entrevista ao Estado, revelou que não havia no mundo mais do que 25 bandas com capacidade de lotar um estádio. Por isso, tanta repetição no elenco dos palcos.

Um festival convencional não suportaria tamanho repeteco de Capital Inicial, Jota Quest, Skank, Metallica, Red Hot, Sepultura e tantas outras que acabam se revezando sem pudores. O próprio Medina já jogou a toalha e agora brinca. “Pena que este ano não tem Metallica de novo”, disse em entrevistas recentes. Está mais urgente a renovação de seu parque de entretenimento. Por mais charme que tenha, a tirolesa não chama mais atenção. A montanha russa precisa recuperar credibilidade, depois da pane deste fim de semana, e a roda gigante ficou pequena para filas tão gigantescas.

Redação JC: