Por trás da festa, uma rede de fé e dedicação à Nossa Senhora Aparecida

Voluntários se preparam durante dias para receber milhares de fiéis na programação da 85ª Festa da Padroeira na Paróquia Nossa Senhora Aparecida

Antes da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Rio Claro, receber milhares de fiéis para as celebrações da Festa da Padroeira, comemorada na semana do feriado nacional, do dia 12 de outubro, uma rotina de preparação já movimenta os voluntários. São pessoas que dedicam horas, deixam suas casas e organizam cada detalhe para que a festa da padroeira aconteça.

Para Olívia Marolla, esse trabalho já faz parte da própria história. Ela participa da preparação do Bolo da Padroeira há 24 anos. Quando começou, não imaginava que aquele primeiro dia de ajuda se transformaria em mais de duas décadas de dedicação.

“Eu fui para ajudar. Um dia lá resolvi trabalhar no dia do Bolo”, conta. Ao final daquela produção, a então responsável perguntou se poderia contar com ela no ano seguinte. Olívia aceitou. Com o passar dos anos, foi assumindo novas responsabilidades até chegar à coordenação.

Hoje, ela conta com uma equipe de cerca de 30 pessoas no dia da produção. Mas o trabalho começa muito antes. Aproximadamente 15 dias antes da festa, uma equipe menor já inicia a organização do espaço, a higienização, a montagem das mesas, as compras e todos os preparativos necessários.

A produção acontece no dia 11 de outubro, a partir do meio-dia. Antes de começar, os voluntários rezam um terço. Depois, seguem trabalhando até concluir o bolo e deixar o local novamente organizado para a programação da paróquia. Neste ano, a expectativa é preparar cerca de 2 mil pedaços.

Uma história construída ao longo de décadas

A dedicação dos voluntários não se resume ao bolo. Maria Ângela, que participa da paróquia há 21 anos e coordena a barraca dos doces desde o final da pandemia.

Ela conta que nunca havia sido “fã” de fazer doces e sequer sabia prepará-los quando assumiu a responsabilidade. Aprendeu com Dona Nilza, que coordenava a atividade anteriormente e precisou se afastar.

“Confesso que fiquei com medo e receio, pois não tinha prática, mas recorri à Nossa Senhora pedindo que me desse direção, discernimento e sabedoria para conduzir da melhor forma.”

Hoje, Maria Ângela coordena uma equipe de 16 voluntárias. Juntas, elas preparam cerca de 24 tipos de doces, com parte da produção feita nas próprias casas das integrantes. A preparação começa aproximadamente 15 dias antes da festa.

Maria Ângela conta que divide o tempo entre o emprego e a festa, mas não abre mão de participar: “É impressionante ver a fé e devoção das pessoas, sinto uma emoção e gratidão muito grande e às vezes chego a chorar.”

Uma comunidade construída no voluntariado

A trajetória de Maria Eunice Antonini, conhecida na comunidade como Nice, também atravessa décadas. Ela começou a frequentar a Paróquia Nossa Senhora Aparecida em 1993 e, aos poucos, passou a participar dos trabalhos pastorais e voluntários.

Sua caminhada começou na Catequese. Em 1999, recebeu o convite para iniciar o trabalho da Pastoral da Liturgia na paróquia. Como coordenadora da Liturgia, Nice participa da preparação dos roteiros das missas, acompanha os leitores e mantém contato com outras pastorais e movimentos envolvidos nas celebrações.

“É um trabalho que, muitas vezes, acontece silenciosamente nos bastidores, mas que exige dedicação, organização e, acima de tudo, amor à Igreja.”

No bar, Karina Batalha, que há três anos atua na coordenação da equipe, também representa esse trabalho. Nesta edição, os preparativos começaram no dia 5 de outubro, e a equipe permanecerá mobilizada durante os períodos de funcionamento do espaço e também na madrugada do dia 12. Para Karina, dedicar esse tempo é uma forma de agradecer pelas bênçãos recebidas.

“É como se eu pudesse retribuir todas as bênçãos que tenho na minha família e na minha vida.”

Expectativa de 10 mil pessoas

A expectativa é de que 10 mil pessoas passem pela paróquia durante o período. Além da programação religiosa, haverá bar e cozinha funcionando a partir das 6h e a Tenda do Romeiro, com serviços como medição de pressão e glicemia.

No domingo (11), a programação terá o 3º Pedal da Padroeira, com concentração às 7h30, saída às 8h e missa às 10h. À noite, a quermesse começa às 18h30. A programação religiosa inclui ainda a última noite da novena, às 18h, seguida pela bênção do Bolo da Padroeira.

Já na segunda (12) será marcado por uma sequência de celebrações ao longo de todo o dia. As missas estão previstas para 0h, 6h, 8h, 10h, 14h, 16h e 18h, com meditação do Terço ao meio-dia. A última celebração será seguida pela Coroação de Nossa Senhora Aparecida.

A programação do feriado inclui ainda a quermesse, das 8h às 23h, e a venda do Bolo da Padroeira, das 0h às 20h. O pedaço de 350 gramas custa R$ 18.

Outra novidade desta edição é uma ação com uma réplica oficial da imagem de Nossa Senhora Aparecida, trazida do Santuário Nacional. A pessoa que participar contribui com R$ 2, deixa nome e telefone e concorre para levar a imagem para sua casa.

Para quem estará trabalhando, a programação representa o resultado de semanas de preparação. Para quem chega à paróquia, será a oportunidade de participar de uma tradição que reúne fé, convivência e devoção. E, para o coordenador de festas e eventos, Luiz Roberto Corrêa, todo esse esforço tem uma finalidade que vai além da organização da festa: “Afinal, atender bem também é evangelizar.”

Vinicius Sales: