Outubro Rosa: a luta pela vida em Rio Claro

O Outubro Rosa é um momento de campanha que reforça a importância dos cuidados médicos e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Em Rio Claro, a Fundação Municipal de Saúde informa que trabalha o ano todo a com ações que destacam a importância de realizar a mamografia, a partir dos 40 anos.

Atualmente, o município não tem fila de espera para o exame. Neste ano, de janeiro a setembro, a rede pública municipal de saúde realizou 4.139 mamografias. O exame é realizado em no máximo quatro semanas.

Nas unidades básicas de saúde e unidades de saúde da família de Rio Claro, os atendimentos incluem orientações sobre autocuidado e sobre sinais e sintomas da doença. Há também ações de educação em saúde sobre a temática e que frisam a importância do comparecimento nas consultas de rotina e no exame de mamografia.

Viver a vida

A munícipe Zélia Prado Alves, que completa 68 anos neste domingo (18), lutou contra o câncer de mama ao longo dos últimos quatro anos. Ela já concluiu cirurgia e radioterapia, está sem a doença e se sente curada, mas ainda hoje realiza um protocolo de medicamento diário, uma espécie de quimioterapia oral, além de exames periódicos a cada seis meses.

“Meu diagnóstico foi através de mamografia de rotina e daí a importância do exame”, afirma. Zélia conta que receber a notícia provocou medo para assimilar a situação, e surgiram dúvidas sobre como contar à família e às amigas e sobre os próximos passos do tratamento.

“No momento em que estamos diante da realidade do diagnóstico, perde-se o chão. Ficamos na negação e demora muito para assimilar. O susto e o medo são reais”, relata. Com o andamento do tratamento, ela encontrou apoio em outras pessoas que vivenciavam situações semelhantes.

Zelia Alves Prado

A troca de experiências ajudou a diminuir a angústia e a enfrentar as etapas do processo. Todo o tratamento foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de Rio Claro, e Zélia afirma ter sido bem acolhida pelos profissionais que a acompanharam.

Além do atendimento médico, ela participa de iniciativas voltadas ao bem-estar de pessoas que passaram pelo câncer. Entre elas está o Projeto Flor Azul, que oferece atividades físicas e apoio nutricional, coordenado pelo educador físico Giulliano Esperança com apoio do mastologista Daniel Buttros. “Gostaria muito de frisar a importância do exercício físico do Flor Azul para que ele possa atingir outras mulheres”, diz.

Ela também integra o grupo Roda de Viola, projeto de extensão da Unesp, e participa de aulas de dança do ventre direcionadas a pessoas em tratamento oncológico ou que já passaram por ele.

Zélia destaca ainda a importância dos grupos de apoio, que promovem encontros quinzenais com a participação das psicólogas Ana Janei e Meirieli, ambas do Cead (Centro de Especialidades e Apoio Diagnóstico) do município, além de profissionais convidados para palestras e atualizações. Ainda, a importância do tratamento dentário no projeto Odonto Cuida no CEO, da Fundação de Saúde de Rio Claro, com a Dra. Camila e os outros profissionais.

Atividades físicas do projeto Flor Azul (@njstorymaker)

“Gostaria de deixar uma mensagem para todas aquelas que passaram ou estão passando por esse momento angustiante e desafiador: não é fácil, mas é possível. Cada tratamento e cada reação nunca serão iguais”, afirma.

Ao concluir seu relato, dona Zélia expressa gratidão a Deus e aos profissionais que a atenderam e deixa uma mensagem de esperança para outras mulheres: “Hoje eu posso dizer que existe vida após o diagnóstico e, com certeza, nesses quatro anos muita coisa já evoluiu”.

Rede de atenção no SUS

Durante o Outubro Rosa, o trabalho de acolhimento em Rio Claro é intensificado inclusive com busca ativa a pacientes com exames em atraso e realização de atividades que levam informação para a comunidade, como palestras e rodas de conversa. O município realiza agendamentos e confirmações de consulta por WhatsApp. Apesar disso, há o desafio de reduzir o absenteísmo.

Ainda há pacientes que agendam consultas e exames de mamografia e não comparecem. Essas faltas atrapalham a dinâmica dos atendimentos, já que o horário poderia ser destinado a alguém que precisa do atendimento.

Na prevenção ao câncer de mama, o fluxo de atendimentos começa nas unidades de saúde da família e unidades básicas de saúde, onde a paciente passa por consulta e, se necessário, é solicitada a mamografia.

No caso de exame com alguma alteração, a paciente é encaminhada para o setor de especialidades, para a realização de mais exames, como ultrassonografia e biópsia. Se o houver diagnóstico de câncer, a paciente é encaminhada para tratamento em unidade de assistência oncológica.

A Fundação Municipal de Saúde de Rio Claro também oferece serviço de apoio a mulheres que enfrentaram o câncer de mama. No grupo de mastologia do Cead as participantes frequentam encontros periódicos e são acompanhadas por equipe.

Santa Casa de Rio Claro é fila zero para tratamento do câncer de mama

Em Rio Claro, a Santa Casa celebra duas vezes o Outubro Rosa em 2026. A primeira comemoração é a fila zero, ou seja, nenhum paciente na fila de espera para tratamento via SUS ou particular.

“Essa é uma notícia que celebramos há muitos anos, o câncer é uma doença que exige atendimento rápido e tratamento adequado e nossos esforços sempre foram para manter todas as mulheres em início imediato, após o diagnóstico e encaminhamento pela Prefeitura de Rio Claro”, explica Dr. Leandro Bianco de Moraes, médico oncologista clínico responsável pelo setor.

Além disso, a primeira semana de outubro marcou o início das atividades do Centro Oncológico Santa Ágata, um prédio construído exclusivamente para o atendimento de pacientes oncológicos. Com 3142m², a unidade foi entregue com o dobro da capacidade de atendimento, além de estrutura moderna capaz de oferecer mais conforto e precisão na programação terapêutica disponibilizando aparelho de ultrassom no consultório de mastologia.

O novo Centro Oncológico Santa Ágata acompanha a demanda da saúde e do crescimento dos casos de câncer, inclusive de mama no município. Em 2025 foram 67 casos registrados e atendidos no primeiro semestre e 72 casos no mesmo período em 2026. Os pacientes passam inicialmente pelos exames nas Unidades Básicas de Saúde e quando diagnosticados, são encaminhados para tratamento na Santa Casa de Rio Claro.

Lucas Calore: