Museu do Eucalipto celebra 110 anos de fundação em Rio Claro

Único no país dedicado exclusivamente ao tema, o Museu do Eucalipto reúne um acervo científico, histórico e cultural de relevância internacional

O único espaço dedicado à história do eucalipto no Brasil, o Museu do Eucalipto da Floresta Estadual ‘Edmundo Navarro de Andrade’ (Feena), em Rio Claro, celebra 110 anos de fundação nesta quinta-feira, 26 de março. O espaço, que se tornou referência na comunidade científica mundial, foi criado em 1916 por iniciativa do engenheiro florestal que dá nome ao antigo Horto Florestal.

O espaço está atualmente fechado. Isto por que obras de revitalização estão em andamento desde 2023 num investimento grandioso. A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), informou ontem ao JC que as obras seguem em ritmo avançado e têm previsão de entrega ainda para 2026. O projeto contempla a reforma do local, incluindo a revitalização da unidade histórica, com investimentos de R$ 4,6 milhões em obras de adequação das estruturas da Feena, incluindo as intervenções no Museu do Eucalipto.

Edmundo Navarro de Andrade, criador e fundador do Museu do Eucalipto

Quando criado em 1916 pelo engenheiro agrônomo Edmundo Navarro de Andrade, o museu nasceu com o objetivo de reunir, preservar e difundir os resultados das pesquisas pioneiras sobre o cultivo de eucalipto no Brasil, desenvolvidas no então Horto Florestal de Rio Claro. A iniciativa foi decisiva para a consolidação da base florestal paulista e para o avanço da produção de madeira, especialmente no contexto da expansão ferroviária no início do século XX.

Único no país dedicado exclusivamente ao tema, o museu reúne um acervo científico, histórico e cultural de relevância internacional, resultado de décadas de estudos sobre a adaptação de espécies de eucalipto trazidas da Austrália. Parte dessas pesquisas permitiu identificar espécies com alto potencial produtivo no território brasileiro, contribuindo diretamente para o desenvolvimento de cadeias produtivas como a de papel e celulose.

Instalado em um edifício histórico dentro da Feena, o espaço expositivo é composto por 16 salas temáticas que apresentam a trajetória da silvicultura no Estado de São Paulo, a relação entre o cultivo do eucalipto e a expansão ferroviária e os diferentes usos da madeira ao longo do tempo. O acervo inclui mobiliário, painéis, utensílios e estruturas construídas com a própria madeira de eucalipto, além de exemplares utilizados nas pesquisas conduzidas por Navarro de Andrade.

No Museu do Eucalipto, na Feena, há animais empalhados

“O Museu do Eucalipto é um patrimônio histórico e científico que traduz a origem da silvicultura no Brasil e a capacidade do Estado de São Paulo de produzir conhecimento e inovação a partir da relação com seus recursos naturais. A Fundação Florestal tem atuado para valorizar esse espaço, ampliando o acesso da população e fortalecendo seu papel como instrumento de educação ambiental”, afirma o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz.

Sob gestão da Fundação Florestal, o Museu do Eucalipto integra as estratégias de valorização do patrimônio histórico e de fortalecimento do uso público das unidades de conservação do Estado. Inserido em uma área de mais de 2 mil hectares, o equipamento conecta pesquisa, memória e educação ambiental, oferecendo ao visitante uma experiência que articula conhecimento científico e contato direto com a natureza.

Lucas Calore: