Com modelos raros como o Motomachine, Djalma Altarugio celebra o centenário de João Gurgel relembrando os tempos de fábrica e o sonho automotivo brasileiro
O legado de João Gurgel em Rio Claro vai além dos números industriais; ele vive nas histórias de quem ajudou a construir essa aventura sobre rodas. Engenheiros, funcionários e admiradores viram de perto seus carros nascerem primeiro em sonhos e, depois, ganharem forma nas linhas de montagem. Uma dessas trajetórias de conexão com a Gurgel em Rio Claro começa silenciosamente no fundo da garagem de Djalma Altarugio.
Entre um Fusca 1978 e um Santana 2000, dois veículos ocupam um lugar especial no coração do colecionador: os modelos Gurgel Motomachine e Gurgel Tocantins. Eles não representam apenas nostalgia, mas carregam uma história pessoal que começou décadas atrás, quando esses mesmos carros ainda eram projetos sobre uma prancheta de engenharia.
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A vivência na fábrica da Gurgel em Rio Claro
Djalma trabalhou na unidade rio-clarense no início dos anos 1990, ingressando como estagiário de processos enquanto cursava Engenharia Mecânica. Naquela época, ele participou da criação e padronização de processos de fabricação. Em desenhos técnicos cuidadosamente preservados, ainda constam sua letra e sua assinatura. “Na época eu não podia comprar um carro. O salário ia praticamente todo para pagar a faculdade”, recorda rindo.
Décadas depois, o destino completou o ciclo. Dois dos modelos que ele viu nascer na engenharia hoje estão em sua posse. A ligação com a Gurgel em Rio Claro também é familiar: sua esposa, Walquíria, trabalhou na contabilidade da empresa. Juntos, eles frequentam encontros de carros antigos, mantendo acesa a memória da fabricante nacional.
Histórias de João Gurgel no chão de fábrica
As lembranças de Djalma revelam o espírito inovador e inusitado de João Gurgel. O aposentado recorda que o empresário reagia de forma inesperada a incidentes. Certa vez, um funcionário capotou um carro em teste; em vez de demissão, Gurgel ficou satisfeito ao ver que o veículo permaneceu intacto, provando a segurança do projeto. Em outra ocasião, chegou a emoldurar uma multa por excesso de velocidade recebida por um colaborador, orgulhoso do desempenho da máquina.
Para Djalma e Walquíria, a gratidão é o sentimento que define a relação com a marca. “Foi lá que aprendi muito do que sei”, resume o engenheiro. Os carros na garagem não são apenas veículos antigos, mas pedaços vivos de um sonho que eles ajudaram a fabricar em solo rio-clarense.
Encontro celebra o centenário da marca
Para celebrar o centenário de João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, entusiastas e colecionadores se reúnem no dia 29 de março, a partir das 9h. O evento acontece na Avenida João Augusto do Amaral Gurgel, em Rio Claro. O encontro terá exposição aberta ao público com veículos históricos e a participação de diversos clubes de admiradores.