Aos 29 anos, Ana Julia Bacher, moradora de Santa Gertrudes, se tornou mãe recentemente e tem uma filha de seis meses. Entre as descobertas da maternidade, vivendo um momento mágico, ela se viu em meio a um furacão que foi o diagnóstico de linfoma de Hodgkin – um tipo de câncer do sistema linfático.
“Assim que terminou minha licença maternidade fui fazer o exame médico para voltar a trabalhar e no Raio-X apareceu uma mancha onde ao investigar recebi o diagnóstico do câncer. Meu mundo caiu naquele momento, mas tive que me levantar por mim, pela minha filha que é um bebê e minha família. Fiz a primeira sessão de quimioterapia e me avisaram que em torno de 15 dias meu cabelo começaria a cair. Eu já estava com um pouco de queda pela amamentação, mas a medicação piorou muito então tomei a decisão de raspar”, conta Ana Julia.
Ana Julia então ligou para seu cabeleireiro, que também é seu primo, Luiz Agus e agendou um horário. Ela conta que ali viveu mais uma dura realidade da doença: “Ter que tomar a decisão de raspar o cabelo me doeu muito. Sempre tive muito apego e cuidado mas não vi outra alternativa”, revela ao JC.
No salão, o primo e cabeleireiro Luiz, recebeu Ana Julia e conta que precisou ser forte: “Confesso que minha mão tremia muito, coisa que nunca acontece. Como profissional estava tomado de emoção por ver a dor dela de tirar os cabelos, mas ali precisei ser forte para dar acolhimento. As minhas palavras para ela foram “pensa que é só uma fase”. E ali no processo de corte me veio na mente o quanto eu busco disfarçar um pouco da minha calvície na frente. Sempre usei topete, joguei o cabelo pro meio para disfarçar, aquela coisa de vaidade. E diante disso, assim que eu terminei de raspar o cabelo dela eu não pensei duas vezes e resolvi tirar a minha vaidade e passar isso junto com ela. Passei a máquina no meu cabelo também e foi acolhedor aquele momento. Disse para ela que o meu cabelo e o dela iam crescer novamente e que logo ela já estaria marcando horário para fazer mechas, escolher o tom de loiro que gosta e a vida é sobre isso. Quis mostrar para a Ana Julia que ela não está sozinha neste processo e que logo ela estará curada”, contou Luiz.
Ana Julia confessa que não esperava aquela atitude, mas que se sentiu forte e acolhida: “É uma fase onde as emoções estão à flor da pele. Tudo é muito intenso e novo. Só tenho que agradecer ao Luiz pela maneira tão humana, sensível e cuidadosa com que me recebeu e enfrentou comigo o processo. Venci essa etapa e vou vencer as outras”, finaliza Ana Julia.