Estupro coletivo repercute em Rio Claro

Carine Corrêa

De Rio de Janeiro para Rio Claro, autoridades e jovens engajadas na luta feminista comentam sobre o estupro coletivo, cuja vítima foi uma menina de 16 anos. A adolescente foi estuprada no último sábado (21) por 33 homens na zona oeste do RJ. Confira a seguir a opinião das entrevistadas sobre o crime que foi considerado e classificado como barbárie:


Delegados falam em coletiva sobre estupro coletivo de uma jovem de 16 anos. Coletiva aconteceu nessa sexta-feira (27), no RJ

“No Brasil cerca de 130 mulheres são vítimas de estupro por dia. O modo como esse tipo de violência é tratada no Brasil, onde a vítima é culpabilizada, as denúncias relativizadas pelo poder público e a sociedade civil, assim como com projetos de lei como o de André Moura (PSC-CE) em conjunto com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que restringe e dificulta o aborto legal em casos de estupro, só demonstra como vivemos em uma sociedade que cria e fortalece a cultura do estupro” – socióloga Nathália Ferreira, membro do Coletivo Feminista Maria Maria de Rio Claro.

“É lamentável perceber que ainda existe uma forte cultura de que a culpa sempre é da vítima. Estupro é crime! Com pena de reclusão de 6 a 10 anos prevista no artigo 213 do Código Penal” – advogada Maisa Cristina Nunes, presidente da Comissão da Criança, do Adolescente e Adoção da OAB-Rio Claro.

“Crime muito violento porque não só ofende a integridade física, como a psicológica. Por isso faz parte dos crimes chamados ‘crimes contra a dignidade sexual’. Quando praticado contra criança ou adolescente, a pena é aumentada e a autoridade policial atua de ofício, ou seja, é obrigada a apurar os fatos independente da manifestação da vítima ou de seu representante legal, e é chamado de estupro de vulnerável. A partir de 2009, o legislador criou a figura do estupro de vulnerável tanto para vítima homem ou mulher” – delegada de Rio Claro Sueli Isler.

Redação JC: