Dom Salvador é Artista Steinway

No cenário da música internacional, poucos nomes carregam o peso da história como de Dom Salvador. Nascido em Rio Claro, o pianista, que elevou a música brasileira ao fundir o samba com o jazz, tornando-se o “pai” do Samba Jazz, acaba de alcançar um novo e raro patamar em sua carreira de mais de seis décadas.

Aos 86 anos e radicado em Nova York desde 1973, Salvador da Silva Filho foi oficialmente incluído no seleto rol de Artistas Steinway. A honra, concedida pela lendária fabricante de pianos Steinway & Sons, coloca o brasileiro ao lado de gênios como Duke Ellington, Sergei Rachmaninoff e Martha Argerich.

O reconhecimento vem coroar uma trajetória iniciada em Rio Claro, onde Salvador, o caçula de 11 irmãos, começou sua formação clássica antes de conquistar as noites de São Paulo e do Rio de Janeiro com o “Salvador Trio” e o icônico grupo “Abolição”. Para o músico, que há mais de 40 anos se mantém como artista residente no River Café, no Brooklyn, o título é a realização de um sonho.

Em um depoimento emocionante sobre a conquista, Dom Salvador relembrou suas raízes.

“Sobre esse certificado, eu sempre tive o sonho de ter um piano Steinway desde que morava em Rio Claro, quando ouvia gravações de pianistas clássicos, jazz e outros pianistas populares. No Brasil ainda tem poucos pianos Steinway, mas quando me mudei para New York, tive, e tenho, a oportunidade de tocar em vários. Acabei comprando um para mim em 1977, mas de parede. Em 2024, comprei um de cauda. Agora tenho dois pianos Steinway em minha casa.”

SURPRESA

A entrada para o time de artistas da marca não era algo que o pianista esperava com facilidade, apesar de seu currículo, que inclui colaborações com Elis Regina, Jorge Ben Jor, o “rei” Roberto Carlos e Harry Belafonte, entre outras.

“A pessoa que me vendeu o piano deu a sugestão de fazer aplicação para ser um artista da Steinway, mas eu achei que seria quase impossível eles me aceitarem. Eu fiquei surpreso quando me deram a grande notícia. Até agora não acredito! Eu sou o primeiro brasileiro a receber esse certificado entre grandes legendários pianistas. Realmente, estou muito feliz! Para Deus, nada é impossível”, celebrou o músico.

A carta oficial de boas-vindas, assinada por Vivian T. Chiu, diretora da Steinway & Sons, destaca as “contribuições significativas de Salvador para as artes performáticas, academia e comunidade”.

A partir disso, o nome do rio-clarense está imortalizado não apenas nos discos revolucionários da música instrumental brasileira, mas também na lista oficial dos artistas mais realizados do mundo.

Laura Tesseti: