Amantes da música na cidade celebram a data, destacando a experiência sensorial e afetiva do formato clássico, que persiste na era do streaming
Nesta segunda-feira (20) amantes da música celebram o Dia do Disco de Vinil, uma data que resgata não apenas um formato clássico de reprodução sonora, mas também toda a experiência sensorial e afetiva que ele proporciona. Em tempos dominados pelo streaming e pela praticidade digital, o vinil segue firme como símbolo de autenticidade, qualidade e conexão com a arte.
Mais do que um objeto, o disco de vinil carrega histórias. Para colecionadores, cada peça representa uma descoberta, uma memória ou até mesmo um pedaço de identidade. Vasculhar lojas, garimpar edições raras e apreciar capas icônicas fazem parte de um ritual que atravessa gerações. Essa paixão crescente revela que, mesmo em um mundo acelerado, ainda há espaço para o som analógico, o toque físico e o prazer de ouvir música com calma e profundidade.
O Analista de Planejamento de Produção e produtor do programa de rádio História do Rock (Opção FM), Julio Marcondes, morador do Centro de Rio Claro, acredita ter perto de mil vinis. A maior parte de sua coleção é composta por rock e seus subgêneros. Ele começou a ouvir rock em 1983, influenciado pela vinda do Kiss ao Brasil. Seu primeiro vinil foi da banda Twisted Sisters, “Come Out And Play”, comprado na loja Big Dário.
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A jornada de uma coleção e o reencontro
Julio relata uma experiência curiosa de ter trocado seus vinis por CDs na época em que estes se popularizaram, mas depois recomprou boa parte. Em uma dessas recompras, ele adquiriu um disco que havia sido seu há mais de 20 anos, identificado por suas iniciais e o número na coleção. Apesar do grande número de itens, ele ainda sonha em possuir o vinil “Crush, Kill, Destroy”, da banda Sarcófago, um item atualmente caro e difícil de encontrar em perfeito estado.
Para o colecionador, ter essa memória em casa é algo totalmente nostálgico, pois as músicas marcam épocas da vida. Embora use o formato digital pela praticidade e qualidade, ele ainda aprecia pegar o disco físico para ver a capa, o encarte e sentir a existência do objeto, destacando que o mais importante é ouvir música de boa qualidade, capaz de mudar sentimentos e criar memórias.
Outras histórias: a paixão de Jhonny Ferreira
Outro apreciador do disco de vinil é Jhonny Ferreira, de 58 anos, proprietário da loja Outras Histórias Sebo & Gibiteria, localizada na Rua 6 nº 1337, há mais de três décadas. O estabelecimento reúne cultura através da música, livros e quadrinhos, abrigando quase 2 mil discos de vinil. A paixão de Jhonny começou cedo: ele ouviu seu primeiro disco, um 78 rotações de 10 polegadas do Elvis Presley, quando tinha cerca de seis anos de idade.
Jhonny Ferreira descreve a audição de vinil como a melhor, mais longeva e charmosa forma de ouvir música, envolvendo um ritual único: pegar o disco, colocar no toca-discos, tirar o encarte, ler as letras e ver os músicos participantes, transformando a experiência em algo único.