Data que celebra atividade dos feirantes é celebrada em 25 de agosto e eles falam ao JC do amor pela profissão
Olha aí, freguesia. A terça-feira, 25 de agosto, será mais especial para mais de 250 profissionais em Rio Claro. É quando se celebra o Dia do Feirante, data que surgiu décadas atrás a partir de um decreto da Prefeitura de São Paulo em 1914, instituído pelo então prefeito Washington Luiz, quando foi oficializada a comercialização em feiras livres na capital paulista.
As feiras são paixão nacional e na Cidade Azul não é diferente. O município conta com várias feiras regulares, quase que diariamente – confira a lista ao final da reportagem. E para comemorar o Dia do Feirante, a reportagem do JC conversou com alguns deles que falam da paixão pela profissão.
Uma das feiras mais tradicionais de Rio Claro é a Feira do Produtor Rural, a popular Corujão, que acontece toda terça-feira e sexta-feira, no Espaço Livre da Vila Martins. Por lá, Roseli Schiavi é a mulher feirante mais antiga da Corujão, onde atua há 11 anos como feirante, atividade que começou depois que comprou um sítio no município e passou a produzir alimentos.
Antes disso, era dona de casa e cuidava dos filhos, enquanto o marido trabalhava como caminhoneiro. Com experiência familiar na produção rural, ela iniciou o cultivo e pediu uma oportunidade para participar da Feira do Produtor Rural. Hoje, Roseli trabalha com agricultura familiar e produz mandioca, tomate, quiabo, jiló, berinjela, beterraba, vagem e pepino, entre outros produtos. Além da feira, fornece para a merenda escolar de Rio Claro, restaurantes e supermercados e participa de feiras em condomínios.
Ao falar sobre a profissão, Roseli destaca a relação construída com a atividade e com os demais feirantes. “É uma profissão de muita alegria. Eu gosto demais. Nós precisamos do trabalho e eu gosto, então junta tudo. Eu faço com prazer”, diz ao JC. Para ela, a feira também passou a fazer parte da rotina e da própria história. “Aqui faz parte já da minha vida, pretendo ser feirante até me aposentar”, afirma.
O feirante Saulo Gonçalves Pegorin é o mais antigo da Feira Corujão, fazendo parte desde o seu início. Antes segurança, resolveu mudar de vida ao criar um espetinho. A mudança de atividade ocorreu também em um momento familiar: sua então esposa estava grávida e não queria que ele continuasse trabalhando em uma profissão que considerava de maior risco.
“Quando eu comecei eu nem tinha nem um trailer. Eu comecei num box, tinha churrasquinho pequenininho”, conta. A ideia foi criar um negócio de espetinhos para trabalhar nas feiras. “Eu fiquei desempregado e criei um espetinho. Comprei churrasqueira, falei assim: vou fazer espetinho na feira.”
A proposta, porém, não foi recebida inicialmente com muita confiança pelos amigos. “Conversei com vários amigos, todo mundo falou a mesma coisa: ‘Nossa, é doido fazer espetinho na feira’.”
Mesmo assim, Saulo seguiu com a ideia e se tornou o primeiro vendedor de espetinhos na feira de São Benedito, no Centro. “Lá no centro, nunca teve espetinho. Eu fui o primeiro a ser espetinho lá. Ninguém acreditou que eu iria dar certo. Depois também vim para a Corujão e estamos aí até hoje.”
Saulo afirma que mantém o entusiasmo pelo trabalho. “Até hoje eu amo o que faço. Faço o trabalho com vontade, sempre venho com alegria, com perseverança de crescer na feira”, conclui.
Apoio aos feirantes
A coordenadora da Feira Corujão, Fernanda Vertini, lembra que inicialmente a mesma foi criada para as famílias do campo escoarem a produção. Com o tempo, e após a pandemia da Covid-19, o formato se adaptou ao que é até hoje, com opções de praça de alimentação. São cerca de 25 feirantes que atuam toda terça e sexta-feira no espaço.
Nanda, como é conhecida, diz que “a feira está resistindo bravamente. A gente tem clientes fiéis, desde antes da pandemia, que continha frequentando. Gostam daqui do local, tem estacionamento, praça de alimentação variada, Wi-Fi e banheiros. Vários fatores que colaboram com o funcionamento da feira”, explica.
A coordenadora se tornou feirante após acompanhar o irmão João Franciso Spolador, que foi um tradicional feirante na cidade e ajudou a criar a festa da cachaça. Antes sua formação e trabalho era na área contábil.
Ao passar por uma agência de publicidade, resolveu fazer uma receita antiga de molho de pimenta do próprio pai. Daí, a história se transformou. “Comecei a me dedicar aqui e estou até hoje. Ser feirante é ser persistente, é amar isso aqui. E eu amo aqui. Muita gente depende da feira”, finaliza.
ANOTE NA AGENDA – FEIRAS FIXAS
A Prefeitura de Rio Claro trabalha para regularizar a situação das novas feiras criadas no município. Enquanto a infraestrutura de energia elétrica não é concluída, algumas feiras estão acontecendo temporariamente no Espaço Livre da Avenida Visconde.
Feira do Produtor Rural (Corujão)
Terça e sexta-feira, das 17h às 22h no Espaço Livre da Vila Martins
Feira do Tilápias
Quarta-feira, das 18h às 22h no Espaço Livre da Av. Visconde
Feira do Portugal
Quinta-feira, das 18h às 22h no Espaço Livre da Av. Visconde
Feira da Boa Morte
Quarta-feira, das 18h às 22h no Espaço Livre da Av. Visconde
Feira de São Benedito
Sábado, a partir das 7h, na Praça São Benedito, na Avenida 13
Feira do Cervezão
Domingo, a partir das 7h, na Avenida M25