Dia das Mães: rio-clarense relata jornada de ser mãe de trigêmeos

A jornada da rio-clarense Carolina Carvalho é destaque neste Dia das Mães

Há histórias que parecem ter sido escritas pelo destino. A de Carolina Carvalho, de 43 anos, e Leonardo Cupello, de 42, começou em um dos cenários mais desafiadores e inspiradores do mundo: a trilha para o Base Camp do Everest. Foi ali, entre montanhas, superação e fôlego curto, que os dois se encontraram. Seis anos depois, seguem lado a lado vivendo outra grande aventura e talvez a maior delas: a criação dos trigêmeos Laura, Antônio e Filippo.

Quando decidiram oficializar a união, também decidiram que queriam aumentar a família. Carol, que havia congelado óvulos aos 35 anos, sabia que o tempo poderia ser um fator importante e, por isso, o casal optou pela fertilização in vitro logo após o casamento. Na primeira tentativa, dois embriões foram implantados. A esperança era de que pelo menos um se desenvolvesse. Se viessem gêmeos, já seria uma alegria imensa. Mas o destino reservava uma surpresa ainda maior.

“No primeiro ultrassom o médico levou um susto e disse: ‘Nossa, quantos embriões colocamos? Não foram dois? Tem três bebês!’”, relembra. Um dos embriões havia se dividido: “Meu marido sempre dizia que teria três filhos. Eu nem discutia muito porque tinha certeza de que, quando tivesse o primeiro, iria desistir. Mas Deus mandou logo os três”, conta.

A gravidez transcorreu de forma tranquila até as 34 semanas, mas a chegada de três bebês exigia uma preparação completamente diferente do habitual. Entre descobertas e inseguranças, havia também situações curiosas: “Precisávamos encontrar um carro de sete lugares”, lembra.

Mas foi na UTI Neonatal que essa mãe enfrentou um dos períodos mais delicados da maternidade. Mesmo sabendo racionalmente que os bebês precisariam permanecer internados para ganhar peso, o coração não estava preparado para sair do hospital deixando três pedaços de si para trás: “A mãe de UTI tem o coração partido todos os dias quando vai embora faltando um, no meu caso, três pedaços”, desabafa. Ela define aquele momento como seu maior exercício de fé e guarda gratidão eterna por todos que cuidaram dos filhos quando ela não podia estar presente: “Sou eternamente grata a quem pegou meus filhos no colo de madrugada, a quem deu carinho e também aos amigos que fiz naquele ambiente hospitalar”, diz.

A alta hospitalar marcou o início de uma nova fase: intensa, cansativa e transformadora. Além dos desafios comuns da maternidade, ela precisou se adaptar a uma rotina multiplicada por três: amamentação, noites mal dormidas, cólicas e uma casa cheia de pessoas dispostas a ajudar: “Se não fosse meu marido, acho que teria ficado louca. Ele é um pai muito presente e nós conversamos muito”, afirma
Ao longo desses quase três anos, ela aprendeu que a maternidade está longe da perfeição idealizada. Entre dúvidas, cansaço e erros, descobriu uma força que nem sabia que possuía: “Muitas pessoas dizem que sou muito forte por conseguir, mas, na verdade, eu não sei se consigo. Eu só sigo, dia após dia, um por um e com muita ajuda”, afirma.

Há, porém, uma dor silenciosa que ainda mexe profundamente com ela: não conseguir ser colo para os três ao mesmo tempo: “Tem momentos em que os três querem meu colo e não adianta outra pessoa tentar pegá-los. Eu sento no chão, deito, tento encaixar. Algumas vezes funciona, outras não”.

Mesmo nos dias mais difíceis, os trigêmeos transformaram completamente sua forma de enxergar a vida: “Acho que toda mãe passa a viver por outra pessoa. Algumas bobeiras que antes eram importantes deixam de ser.”

E se antes ela jurava que jamais seria uma mãe “babona”, hoje admite, divertida, que vive mostrando fotos e vídeos dos filhos. Prestes a completar três anos, em setembro, Laura, Antônio e Filippo seguem ensinando diariamente sobre amor, pureza e entrega incondicional. Para o futuro, um desejo profundo: “Quero que eles sejam muito amigos e claro: saudáveis, felizes e prósperos, como toda mãe quer para os filhos”, diz.

Neste Dia das Mães, Carol deixa uma mensagem sincera para mulheres que, assim como ela, vivem os desafios invisíveis da maternidade: “Nem sempre você vai se sentir forte ou suficiente, mas não importa, porque para seu filho você é. Você não precisa ser perfeita para marcar uma vida de forma bonita. São os abraços, as tentativas, o cuidado diário e a presença constante que constroem memórias e fortalecem corações”, finaliza.

Vlada Santis: