Denúncia contra rio-clarense ligada a Valeria Bolsonaro é arquivado e promotor explica

O Ministério Público de Rio Claro arquivou nesta semana o procedimento investigatório que apurava denúncias contra a funcionária pública licenciada Amanda Servidoni (PL), acusada de suposta negociação de “rachadinha” envolvendo emendas parlamentares atribuídas à deputada estadual Valéria Bolsonaro.

A decisão foi confirmada pela Promotoria de Justiça, e a reportagem teve acesso à promoção de arquivamento assinada pelo promotor Gustavo Zampronho. O caso teve origem em investigação sobre a instalação de um escritório político no mesmo imóvel do projeto social Mulheres pela Fé, no Centro da cidade, e foi ampliado após a divulgação, em 2025, de áudios atribuídos a Amanda, repercutidos nacionalmente pelo portal Metrópoles.

Nos diálogos, uma voz feminina mencionava valores relacionados a emendas parlamentares, incluindo R$ 300 mil para obras e uma suposta contrapartida de R$ 100 mil. Também havia referências a articulações em municípios do interior, como Analândia. A investigação, no entanto, não encontrou comprovação da existência dessas emendas.

Durante a apuração, o MP constatou que o imóvel utilizado pelo projeto não recebia recursos públicos nem benefícios fiscais. O espaço é alugado pelo marido de Amanda, que cedeu salas para uso da entidade e da deputada. A movimentação financeira do projeto também foi considerada irrelevante, com registro de apenas R$ 200.

A Assembleia Legislativa de São Paulo foi acionada, e a deputada apresentou documentação referente às emendas dos anos de 2023 e 2024. Após análise, não foi identificada nenhuma destinação de recursos compatível com os áudios divulgados.

Em depoimento, Amanda afirmou que o conteúdo foi retirado de contexto e que a fala ocorreu em um grupo informal de WhatsApp, onde relatava, em terceira pessoa, informações ouvidas. Negou atuar como assessora da deputada e disse não ter qualquer poder para intermediar emendas parlamentares.

Zampronho, porém, fez um alerta de que uma negociação existiu. “A versão de Amanda ficou desconectada da realidade. Ouvindo os áudios da reportagem, em momento algum se conclui estar ela narrando situação de outrem, o que seria facilmente demonstrado caso isso fosse mesmo verdade. Na verdade, o que nos parece é que a tratativa existiu, mas, por circunstâncias alheias à vontade de Amanda, a emenda pretendida, seja lá de qual parlamentar fosse, não foi destinada ao objetivo da conversa. Talvez ela tenha sido ansiosa e “queimado a largada” nas negociações espúrias de um dinheiro que acabou não aparecendo”, alertou o promotor, ainda que reconheça entendimento de que os áudios tenham sofrido cortes.

“Foram envidados inúmeros esforços para identificar o gasto de dinheiro público mencionado na notícia, mas a materialidade da conversa não se revelou”, afirmou. Ele ponderou ainda que, sem a confirmação da emenda citada, o aprofundamento da investigação seria inviável. Diante disso, o Ministério Público determinou o arquivamento do caso.

Lucas Calore: