Aos 15 anos, a rio-clarense Anitha Vilela Dias já vive uma realidade que começou a ser desenhada quando ela tinha apenas dois anos de idade. Apaixonada pelo ballet desde a infância, a jovem atualmente mora na Filadélfia, nos Estados Unidos, onde estuda na The Rock School for Dance Education, uma escola profissionalizante de alto nível. Ela conquistou uma bolsa integral de estudos em 2025, durante o Grand Final do Passo de Arte, uma das principais competições de ballet do Brasil.
A oportunidade representou uma mudança radical na vida da jovem. Aos 15 anos, Anitha deixou Rio Claro para viver em outro país e se dedicar intensamente à formação profissional como bailarina. Hoje, integra o nível 7 da escola, o mais avançado entre as turmas femininas, convivendo diariamente com estudantes de diferentes países e culturas.
A rotina é intensa: de segunda a sábado, são entre cinco e seis horas diárias de aulas e ensaios de ballet, além de aproximadamente quatro horas dedicadas aos estudos regulares. Longe da família, Anitha também precisou desenvolver autonomia para cuidar da própria alimentação, organizar a casa e cumprir as regras do alojamento onde vive: “É uma experiência incrível. Aprendo muito observando outros bailarinos, suas técnicas, estilos e formas de trabalhar. Estar em um ambiente com pessoas de diferentes lugares também me faz crescer não só como bailarina, mas como pessoa”, conta.
Uma paixão que começou cedo
A história de Anitha com a dança começou no Cadência Ballet, em Rio Claro, quando ela tinha apenas dois anos. Filha de artistas, cresceu em um ambiente em que o palco e a arte sempre estiveram presentes. A mãe, Suzana Vilela, foi bailarina profissional e professora de ballet e contemporâneo. Dançou na Broadway Ballet e cursou Dança na Unicamp. O pai, Fábio Dias, também construiu sua trajetória no meio artístico como ator e modelo, participando de novelas e produções televisivas, entre elas “Terra Nostra” e “A Casa das Sete Mulheres”.
Foi nesse ambiente que Anitha descobriu na dança uma maneira de se expressar. O que inicialmente era uma paixão infantil foi ganhando espaço até se transformar em um projeto de vida: “Quando essa oportunidade surgiu, parei para pensar no que eu realmente queria para o meu futuro. Percebi que, entre todas as possibilidades, nenhuma despertava em mim o mesmo sentimento que a dança”, afirma.
Antes da bolsa, Anitha também se destacava nos estudos e mantinha excelentes notas no Colégio Koelle. A decisão de seguir profissionalmente pelo ballet veio justamente quando percebeu que era na dança que encontrava sua maior realização.
A trajetória construída ao longo dos anos já reúne mais de 100 premiações nacionais e internacionais, conquistadas em festivais e competições de alto nível, muitas delas como solista. Entre os momentos marcantes está sua participação no Festival de Dança de Goiânia, em Goiás, onde competiu durante quatro anos consecutivos. Na última participação, foi convidada para integrar a Gala dos Premiados, apresentação que reúne os primeiros colocados e as maiores notas do festival.
No Festival Internacional de Dança de Joinville, um dos mais tradicionais eventos do segmento no país, conquistou o segundo lugar em sua variação clássica, competindo em uma categoria com bailarinas de até 20 anos. Já nos Estados Unidos, no World Ballet Competition, em Orlando, Anitha competiu como solista diante de bailarinas de diferentes partes do mundo e ficou entre as sete maiores notas de sua categoria.
Mas foi no Passo de Arte, em 2025, que veio uma das conquistas mais importantes: a bolsa de 100% para estudar na The Rock School for Dance Education. Para chegar até ali, foram anos de cursos, workshops, competições, ensaios e treinamentos. Muitas vezes, as férias deram lugar à preparação: “O ballet me ensinou que talento sozinho não basta. É preciso ter disciplina, responsabilidade, paciência e persistência”, resume.
Por trás das conquistas, Anitha destaca a presença constante da família. Suzana acompanhou de perto praticamente todas as etapas da formação da filha, desde as aulas e ensaios até a preparação de sapatilhas e figurinos, alimentação e viagens para competições: “Minha mãe, sem dúvida, teve um papel essencial. Além de ser minha professora durante muitos anos, ela sempre esteve ao meu lado em tudo”, afirma Anitha.
O pai também teve papel fundamental no incentivo à carreira. Segundo a jovem, Fábio sempre buscou oferecer as melhores oportunidades, mas, principalmente, preocupou-se com sua felicidade e com a pessoa que ela está se tornando.
Os pais lembram que Anitha nunca encarou o ballet pela metade: “Por trás de cada passo, apresentação e conquista existem horas de dedicação, disciplina, esforço, renúncias e muitos sacrifícios”, destacam. Eles também fazem questão de agradecer à equipe que participou da formação da filha, especialmente à Cadência Ballet e ao coach Jolles Salles, responsável por acompanhá-la em aulas, ensaios e coreografias. O irmão, Nicolas Vilela, também é citado pela família como presença importante nessa caminhada, acompanhando, incentivando e comemorando cada conquista da irmã.
Hoje, mesmo distante de Rio Claro, Anitha diz sentir a torcida da família, dos amigos e de pessoas da cidade. O próximo objetivo é ainda maior: tornar-se bailarina profissional de uma companhia internacional, especialmente na Europa ou nos Estados Unidos. Mais do que chegar a um teatro específico, ela quer construir uma carreira da qual possa se orgulhar ainda mais.
A experiência acumulada desde os primeiros passos no ballet também fez Anitha perceber que sua trajetória pode servir de inspiração para outras meninas que desejam seguir o mesmo caminho. Para quem hoje olha para o sonho de ser bailarina e acredita que ele está distante, ela deixa um recado de incentivo: “Eu diria para não desistir e se dedicar ao máximo em cada aula, cada ensaio e também nos treinamentos complementares, como fortalecimento e fisioterapia. É um caminho que exige muita disciplina, persistência e dedicação”, conclui ao Jornal Cidade.