Em recuperação judicial, a Cerâmica Incefra, do grupo Fragnani, paralisou as atividades de produção em sua unidade de Cordeirópolis nesta quarta-feira (4) e comunicou a dispensa de aproximadamente 265 trabalhadores. A informação foi confirmada ao Jornal Cidade pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Limeira e Região (Siticecom), que acompanha a situação da empresa, fundada há 55 anos.
A entidade atribui a situação a problemas administrativos e financeiros da própria empresa. Segundo o presidente do sindicato, Ademar Rangel da Silva, a decisão é resultado de uma crise financeira e administrativa que se agravou nos últimos três anos. A empresa está em recuperação judicial há mais de dois anos e, conforme o dirigente, já vinha realizando cortes de pessoal, interrompendo a produção e deixando funcionários em casa em diferentes períodos.
“É uma empresa que já vem há mais de um ano se arrastando. Já fez cortes, está em recuperação judicial há mais de dois anos. Está em dificuldades, deixou funcionários em casa porque parou a produção, depois voltou e parou novamente. Foi se agravando ao longo dos últimos três anos”, afirmou.
O sindicato também aponta atrasos no pagamento de salários e pendências no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com Ademar, a entidade ingressou há cerca de quatro anos com uma ação coletiva para garantir os direitos dos trabalhadores relacionados ao fundo. A situação financeira teria piorado progressivamente, com o acúmulo de obrigações e dívidas também com fornecedores.
A direção da empresa comunicou a decisão ao sindicato na terça-feira (3), alegando não haver condições de manter a produção. Segundo Ademar, a entidade foi chamada para uma reunião e informada de que a empresa pretendia formalizar as demissões, evitando que o encerramento dos contratos dependesse de uma iniciativa judicial.
Os cerca de 265 funcionários já foram comunicados sobre as dispensas. Entretanto, segundo o presidente do sindicato, a empresa não dispõe de recursos financeiros para pagar as verbas rescisórias neste momento. Os trabalhadores deverão ter acesso ao FGTS e ao seguro-desemprego, conforme os procedimentos legais. Quem não concordar com os valores ou condições apresentadas poderá recorrer à Justiça do Trabalho.
“Eles vão rescindir os contratos e fazer os termos de rescisão, mas não têm dinheiro para pagar. Essas pessoas que não estiverem de acordo não terão outra iniciativa a não ser entrar com ação trabalhista”, explicou Ademar.
A paralisação, por enquanto, atinge a unidade de Cordeirópolis. A empresa manterá alguns funcionários nas áreas administrativa e de segurança, sem prazo definido para a retomada da produção. Segundo o sindicalista, a direção ainda pretende tentar recuperar a operação e eventualmente voltar a produzir nos próximos meses.
A unidade da empresa na Bahia não foi atingida pela decisão, conforme informou o sindicato. Ademar atribui a situação a problemas administrativos e financeiros da própria empresa, que emitiu um comunicado ao mercado. Confira a seguir.