A operação foi desencadeada para desarticular a estrutura logística, financeira e operacional do Comando Vermelho no interior paulista
Nesta quarta-feira (11) a Polícia Civil juntamente com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizaram a operação “Linea Rubra” em Rio Claro e outras cidades.
“O objetivo da Operação é a investigação sobre organização criminosa, associação para fins de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Existem alguns membros que sempre atuaram no tráfico aqui na nossa região e se associaram ao Comando Vermelho do Rio de Janeiro sendo que mais recentemente um deles foi ‘batizado’ e tem feito muitos negócios entre o Rio de Janeiro e Rio Claro. A partir disso e de disputas entre esse grupo e integrantes do PCC – Primeiro Comando da Capital nós identificamos uma atuação dessa parcela dessa organização criminosa que tem feito um trabalho de branqueamento de capitais, lavagem de dinheiro. Identificamos uma movimentação de R$ 33 milhões”, declarou Dr. Paulo Hadich, delegado seccional de Rio Claro.
Em Rio Claro, dois investigados foram presos preventivamente pelas equipes. Um deles é proprietário de um estacionamento no bairro Santana. As equipes estiveram na residência dele no condomínio Campos do Conde e depois cumpriram diligências no estabelecimento comercial. Os detidos atuavam na parte financeira desse grupo criminoso, diz a Polícia Civil.
“Efetuamos também uma prisão em São Carlos e outra em Ribeirão Preto, ambas relacionadas a integrantes relacionados a associação para o tráfico de drogas e uma outra prisão em Indaiatuba. Neste último caso o preso tinha uma função diferente onde em sua oficina, na cidade de Salto, fazia a preparação de veículos com a instalação de cofres, compartimentos secretos, onde eram transportadas drogas e dinheiro. No local encontramos três automóveis já prontos e modificados para o esquema criminoso”, revelou Hadich.
Esse trabalho em conjunto investiga mais de 45 CPFs e CNPJs. Entre as medidas cautelares já decretadas estão o sequestro de 12 imóveis e 39 veículos.
As investigações permitiram identificar e individualizar os integrantes da organização criminosa, bem como delimitar suas respectivas funções, além de mapear a estrutura patrimonial e financeira derivada das atividades ilícitas. Dessa forma, a operação representa resposta institucional relevante do Estado no enfrentamento à criminalidade organizada no interior do Estado de São Paulo.
“Muito se fala a nível nacional do número de homicídios na cidade de Rio Claro. A maioria olha como o crime a ser investigado e nós fazíamos isso. Descobríamos quem era a vítima, depois o autor, a motivação. De um tempo para cá passamos a ter um olhar diferente. Nós começamos a observar que havia um comando acima. Então muitos dos assassinatos em Rio Claro que ocorreram nos últimos cinco anos é da disputa destes grupos criminosos PCC e Comando Vermelho. A disputa de espaço e poder entre eles gerava esses homicídios. Temos feitas prisões e desmantelado parcelas deste grupo. Se observamos apenas o último quadrimestre de 2019 até agora nós temos uma média de 10 homicídios nesses meses. Agora de 2025 para 2026 tivemos apenas um. É claro que um para nós um já é muito, mas comparado com o que tínhamos antes, em anos seguidos, significa que combatendo a lavagem de dinheiro, a organização criminosa e o tráfico de drogas nós também vamos combater essa disputa territorial, esse número que homicídios que tanto era rotulado na sociedade”, finalizou o seccional.