Arquivo Público preserva memória histórica do JC

A história do Jornal Cidade e do município de Rio Claro em mais de oito décadas estão nas edições preservadas pelo Arquivo Público e Histórico

Ao longo desses 86 anos de história, a memória do Jornal Cidade vem sendo preservada literalmente através das suas páginas que estão disponíveis no acervo do Arquivo Público e Histórico do Município de Rio Claro “Oscar de Arruda Penteado”. Inaugurado dia 9 de setembro de 1934, a edição do dia 12 daquele mês, a terceira do JC, é a mais antiga que está acondicionada na autarquia.

Aquela edição, publicada numa quarta-feira, teve como manchete um tema bastante próximo dos dias atuais: as eleições. “Mais de meio milhão de eleitores podem votar no pleito de 14 de outubro em São Paulo”, informara o Jornal Cidade na terceira década do início do século passado. O jornal também destacou sobre assalto à então Capela de Nossa Senhora da Saúde, crônicas, proclamas de casamento, programação da Rádio Clube Rio Claro e filmes nos cinemas.

Um longo editorial também relatou a viagem do então prefeito Celso do Valle à capital paulista, onde ocorreram tratativas diversas. Entre elas, sobre o funcionamento da então Escola Profissional Feminina, o calçamento do Jardim Público e do Largo de Santa Cruz. Ainda, o então chefe do Poder Executivo buscou melhorias para o projeto do abastecimento de água à população, que àquela época era bastante deficiente.

ACERVO

De acordo com Consuelo Perinotto, do setor de difusão do acervo do Arquivo Público, considerando o tipo da qualidade do papel no qual os jornais são impressos, é preciso acondicioná-los em caixas de polipropileno de tamanho ajustado nas dimensões do jornal de maneira que as folhas não fiquem dobradas, uma vez que, a longo prazo, as cerdas craquelam e as folhas se partem.

“O ideal é que as caixas sejam dispostas na horizontal, em ambiente com iluminação, temperatura e umidade controladas. E que seja realizado trabalho de digitalização, o que permite a preservação das informações e a conservação do suporte original”, explica. Em 2019, o Arquivo melhorou as condições de acondicionamento de documentos, para maior conservação do acervo. Caixas de polipropileno substituíram as de papelão onde estavam guardados os jornais antigos e o rol de impostos arquivados pela autarquia, materiais bastante consultados pela população.

HISTÓRIA

Para o historiador do Arquivo Público, Amilson Henriques, a leitura dos jornais do passado de Rio Claro e que fazem parte da hemeroteca da instituição pode e deve servir para aguçar, estimular ou proporcionar visões e possibilidades que as fontes históricas do acervo podem levantar e trazer ao público em geral.

“Por meio das páginas dos jornais, descobrimos as direções políticas da cidade, o ambiente vivido, os adversários, as causas defendidas e debatidas. Ali também estão presentes as mensagens institucionais e de promoção das mais diversas causas sociais, onde divulgavam festas populares, encontros políticos e profissionais, eventos, esporte, cultura, lazer, colunas sociais e necessidades específicas como doação de agasalhos e dinheiro para entidades filantrópicas e causas assistenciais”, comenta.

Henriques também destaca que uma característica muito marcante que pode ser constatada em edições antigas são as propagandas em diversos formatos e clientes. “A análise das peças publicitárias pode fornecer evidências das mudanças no espaço organizado e construído na cidade capazes de configurar as relações sociais e explicar as condições de vida e etapas da evolução da cidade”, completa o historiador.

Para conferir o trabalho do Arquivo Público e Histórico de Rio Claro acesse www.aphrioclaro.sp.gov.br

Lucas Calore: