“Vamos Conversar?”, com Maristela M.M.F. Antonio

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Maristela M.M.F. Antonio | maristela.antonio@hotmail.com

Boas (nem tanto) Festas!

As festas de fim de ano, Natal e passagem do ano costumam ser alegres, divertidas, emocionantes! Momento de reunião familiar, amigo-secreto, confraternizações de amigos e colegas de trabalho e, porque não, um pouco de paz nos nossos dias tão atribulados. As pessoas sorriem mais, se desejam felicidades, se presenteiam. As cidades (não a nossa este ano) e as casas ficam coloridas, cheias de figuras natalinas e iluminadas, muito iluminadas, como que para clarear os caminhos tão negros por que passamos. Para os cristãos um momento mais mágico de comemorar o nascimento de Jesus e renovar as esperanças que Ele pode tudo melhorar. As ruas se enchem, os corais cantam, as crianças sonham! E viramos crianças como elas. Todos se encantam, todos festejam! Será? Nem todos. Existem pessoas, muitas, que desejariam dormir dia 24 e acordar no dia 2 de janeiro. Sim, infelizmente para essas pessoas o final de ano é dramático e doloroso. Os que sofrem de algum tipo de depressão e os que não souberam trabalhar e aceitar as perdas e lutos. É uma época que quem já está em tratamento pode ter uma recaída e quem não está, sofre muito. As depressões no Natal são uma realidade! Começa que existe certa obrigatoriedade em estar feliz, pleno e se alegrar. E se há obrigatoriedade há cobranças! Como pode alguém não estar feliz e comemorar com a família, distribuindo abraços e sorrisos? Porque essas pessoas que sofrem carregam sentimentos de desesperança e pessimismo. Porque, de maneira incontrolável, trazem à memória más lembranças de sofrimento, menos valia, solidão. A solidão é muito forte mesmo que esteja cercada de amigos e familiares já que não consegue compartilhar da alegria e dos momentos felizes de união. Na passagem de ano há falta de perspectivas para o próximo, e não encontram motivos para celebrar e desejar que o ano que entra seja mais promissor. E existem as pessoas que não sabem aceitar perdas e lutos e que nem precisam ser depressivas mas, nessa época do ano, a dor aumenta. Choram pelos que foram, relembrando como se a dor fosse a mesma diante da morte. Sentem falta e não conseguem perceber que existem outras pessoas à sua volta. E acabam contaminando outros familiares e amigos. É muito difícil lidar com essas situações, não sabendo se conforta, discute ou ignora. Sempre lembro da empatia e nessas ocasiões ela é muito importante. Tentar compreender a dor dessas pessoas faz com que tentemos apoiá-las, escutá-las. Fazer um carinho, não julgar e deixá-las à vontade ajuda muito. Para quem sofre seria imprescindível que fizesse uma reflexão sobre seus pensamentos e dores, tentando dar o peso certo para cada sentimento, aliviando a bagagem que carregam. Ressignificar essas datas, deixando-se contagiar pelas luzes e sorrisos e as esperanças que flutuam no ar. Valorizar a união das pessoas que estarão em sua companhia festejando justamente o estarem juntos! Fortalecer o estar vivo, encontrando sua maneira de se conectar a esse mundo. E não fugir das ceias e comemorações. A vida é boa e as festas, alegres. E vamos nessa de Boas Festas!

  •  Claro que em alguns momentos dos festejos a emoção vai acontecer e a garganta vai fechar. Normal. Para descontrair mais e ajudar quem sofre a distrair, inventem jogos, charadas, brincadeiras. A de mímica costuma render boas gargalhadas!
  • Peçam para que as pessoas coloquem num papel alguns dos desejos para o próximo ano e ajudem quem está pessimista a escrever coisas divertidas e um tanto improváveis. Só para rir.
  • Não assistam ou ouçam, perto dessas pessoas, filmes muito emocionantes com passagens tristes e nem aquelas músicas mais melancólicas. Existem muitos filmes de comédia com o tema natalino e músicas com ritmos dançantes.

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