Trabalho artesanal chama a atenção

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Favari Filho

Até o século XVI o objeto mais comum para o descanso e também o bate-papo no Brasil eram a rede e a esteira indígenas – ambas de fibras vegetais –; com a chegada dos portugueses em terras tupiniquins a cadeira passou a ser item indispensável em todos os lares. Existem diversos modelos, mas todas com o mesmo fim, ou seja, acomodar e fazer com que as horas passem mais agradáveis, principalmente quando a companhia é essencial e imprescindível.

Ao lado da esposa Joana – com quem construiu uma linda e duradoura história ao longo de mais de sessenta anos – José Bertin passa os dias na esquina da Rua 7 com Avenida  30 sob a sombra de uma frondosa árvore de canela [que plantou logo depois do casamento quando adquiriu a casa] reformando e dando nova cor, nova forma e nova vida as populares cadeiras de área.

Ao lado da esposa Joana, José Bertin passa os dias na esquina da Rua 7 com Avenida  30
Ao lado da esposa Joana, José Bertin passa os dias na esquina da Rua 7 com Avenida  30

O artesão das tiras coloridas [conhecidas como macarrão e/ou espaguete] contou à reportagem que exerce a função há mais de duas décadas e que antes de aposentar, porém, já havia trabalhado como padeiro e vendedor. A história com as cadeiras, revelou, teve início quando estourou uma que tinha em casa; resolveu arrumar e descobriu o novo ofício. Logo, os amigos, vizinhos e demais pessoas foram levando serviço e, atualmente, o entrevistado chega a reformar até duas por dia; o preço varia entre R$ 40 e R$ 70.

O trabalho com as mãos é ágil e também rítmico, assim como o som do assobio com que cumprimenta os amigos que passam e, às vezes, param para prosear com Bertin que foi enfático quanto ao que sente pelo trabalho que realiza: “Jesus morreu de braços abertos e não de braços cruzados; caso eu ficar dormindo vou passar os dias sem fazer nada e, acredito, a gente tendo saúde tem de trabalhar, pois é a coisa mais gostosa da vida”, finalizou.

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