Ong em Analândia completa cinco anos de luta contra corrupção

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Vivian Guilherme

Eleitores protestam contra voto fantasma (foto: Reprodução - http://unidosporanalandia.blogspot.com.br)
Fundada em 2009, a entidade tem por objetivo lutar contra a corrupção nos serviços públicos. Durante estes anos de atuação, o presidente da entidade destaca grandes vitórias. “Não há tolerância para o mal uso dos recursos públicos. Agiu com incompetência, vai responder por isso e a AMASA estará sempre atenta e orientando a população”, afirmou.

Comemorando neste mês cinco anos de atuação, a ong de Analândia Amasa tem um histórico vitorioso em luta contra a corrupção. Segundo o presidente da associação, Vanderlei Vivaldini, a Ong é apartidária, uma vez que sempre será oposição às irregularidades. “Seja do partido que for, o trabalho da Ong é cobrar para que o dinheiro público seja bem aplicado. Somos filiados à Rede Amarribo Brasil, uma rede que conta com mais de 220 Ongs por todo Brasil”, comenta Vivaldini, que lembra que a Amasa possui um corpo jurídico atuante, que cuida de toda parte legal e processual da organização. “Estamos difundindo para outras cidades o que aprendemos nestes anos no combate à corrupção, estamos prestando assessoria a outras Ongs recém-formadas”.

Sobre as vitórias da Ong, Vivaldini diz que a primeira ação popular da Amasa foi ambiental, e condenou o prefeito da época a tratar o esgoto da cidade. “Ele despejava o esgoto no Rio Corumbataí sem nenhum tratamento, o que era pior, a prefeitura havia gasto mais de R$ 2 milhões em uma Estação de Tratamento que não funcionava, assim ele foi obrigado a fazer a ETE funcionar e quem ganhou com isso foi o meio ambiente e as cidades que utilizam a água para consumo, tais como Corumbataí, Rio Claro, Piracicaba. Isso foi ótimo”, exclama.

Outro destaque, de acordo com Vivaldini, foi a condenação de um ex-prefeito, que teve de devolver milhões de reais aos cofres da prefeitura. “É um exemplo emblemático de impunidade que ocorreu há mais de 16 anos. Também é importante destacar que tramitam na justiça diversas Ações Civis Públicas, que nasceram de denúncias da Amasa e que acabaram por suspender os direitos políticos de envolvidos em fatos ilícitos, o que nunca ocorreu antes da fundação da Amasa”, observa Vivaldini, que acredita que o mais importante dessas ações é a mudança de postura da população. “Hoje a população tem acesso a informações do legislativo e executivo, não tem mais medo de perguntar e de criticar quando achar necessário, sem sofrer retaliações. Só para lembrar, a primeira reunião para fundar a Amasa teve que ser realizada às escondidas, dentro da Igreja Católica da cidade, pois temíamos as ameaças dos políticos, a reunião terminou na delegacia”, lembra, “padre Marcos (que ajudou na reunião) sofreu ameaças e foi transferido da cidade na mesma semana, a casa de Sonia Dotta (a primeira presidente da Amasa) foi apedrejada, ela foi ameaçada e teve que se mudar da cidade, carros foram danificados com ácido, entre outras ameaças que na época deixava a pequena cidade apavorada”.

Segundo Vivaldini, o trabalho da Amasa não acaba e os integrantes estão sempre de olho em todas as licitações, qualidade das obras feitas, acompanhando a elaboração e a execução para ver se conferem com o que foi contratado para, assim, garantir a qualidade e a boa aplicação dos recursos. “Aprendemos que temos que cuidar do recurso público antes de acontecer o desvio, procuramos coibir os desvios, para que o dinheiro não caia nas mãos dos corruptos,  sabemos que se o dinheiro for desviado a probabilidade de recuperação é muito pequena, de todo valor desviado apenas 2% são efetivamente recuperados”, aponta.

BIOMETRIA

Sobre a implantação da votação biométrica, Vivaldini ressalta que a medida ajudou muito. “Hoje nossa cidade respira ar de liberdade, sem ameaças, sem perseguições, em uma cidade onde imperava a impunidade, hoje estamos vendo a justiça agir. Analândia era uma das cidades brasileiras que tinha mais eleitores que habitantes, 5 mil eleitores para uma população de 4.200 habitantes”, comenta. “Hoje temos 3.500 eleitores, mais de mil títulos foram cancelados. Após isso, muitas investigações foram instauradas. Hoje, quem decide o rumo de Analândia são os moradores de Analândia. Mas o trabalho continua, o preço da liberdade é a vigilância, a Ong Amasa continua capacitando pessoas para fiscalizar e formando grupos fortes de fiscalização durante as eleições, para barrar qualquer irregularidade nas eleições, pois acreditamos ser esta a mais importante e democrática ferramenta que o povo possui para determinar o futuro de sua cidade”, afirma.

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