Carine Corrêa

Uma viagem verde no tempo

Depois de assistir ao filme “Tomorrowland” – que propõe uma viagem ao tempo a cada vez que se toca em um objeto –, fico imaginando e projetando como seria uma viagem no tempo cada vez que tocássemos em alguma árvore. Compartilho essa projeção com o meu escritor, e ele logo dá o gatilho: “Mas e no caso da Figueira ter sido derrubada pelo vento, não fariam “objetos” souvenirs com os restos do tronco?”

Claro que, tocando no souvenir, faria uma viagem no tempo em outro momento histórico da cidade, em pouco menos de um século. Na viagem centenária, você estaria encorpando o coro dos negros nas composições de samba. Ou, quando se dá conta, estaria envolvido no ritmo e no batuque da Umbigada, uma dança folclórica que se desenrolou muitas vezes ao redor do exemplar. Poderia encontrar também seu José Ariovaldo Pereira Bueno – líder do Grupo Folclórico Congada e Tambu de São Benedito rio-clarense – ainda pequeno. Aquele que se tornou um dos líderes da comunidade negra de Rio Claro estaria lá no meio das danças, tentando alcançar o umbigo da dama e empreendendo fuga quando a polícia chegava. Ou então encontrar os avós, bisavós e tataravós de Seu Ari, levando oferenda aos orixás aos pés da árvore. “E os tropeiros?”, pergunta meu escritor. Você poderia cruzá-los também. Nessa viagem arbórea, por que não assustá-los, enquanto buscavam descanso à sombra da árvore?

Há também outra espécie que abrigou muitas histórias do município. Domingo de passeio no antigo Horto Florestal, apreciando a paisagem que compõe o lago e, de repente, procura uma sombrinha em uma espécie de eucalipto. Quando a pele encosta no tronco, lascou-se! (não o tronco da árvore, mas a sua namorada que fazia companhia na floresta). Uma viagem pelo tempo te transporta para 1909, data em que foi criado o Horto Florestal, conhecido também nacionalmente como “berço do eucalipto”. Finalmente conheceria Edmundo Navarro de Andrade passeando entre os espécimes que seriam futuros dormentes de ferrovias.

Sabe que, depois de compartilhar essa ideia com o escritor, ele me pergunta se, no caso da Figueira, os tropeiros não seriam também viajantes do tempo, que tocaram em alguma árvore em outro tempo histórico. Agora estou curiosa: se eu cruzar com você, em qual árvore você tocou?

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