Carine Corrêa

Uma primavera no Horto

Fiquei aqui pensando na mudança de estação e no que representa o marco climático para nós, que habitamos o Hemisfério Sul (e também o Hemisfério Norte).

Tentei resgatar aqui de minha memória alguma experiência marcante que tive durante a Primavera, cuja natureza [sem dó e piedade] exibe a beleza de algumas espécies que até então estavam dormentes. E aí lembrei que uma das vivências marcantes que tive nesta estação aconteceu aqui em Rio Claro, no antigo Horto Florestal.

Foi em meados da Primavera de 2008 que recebi dois amigos da minha terra natal em Rio Claro. Bruno e Lauren pousaram na Cidade Azul para uma breve visita. Caminhávamos para o Horto Florestal, especificamente na região do lago. No caminho, uma surpresa: uma cobrinha daquelas verdes resolveu interceptar nosso trajeto, próximo mais ou menos daquele playground antes do lago. Lembro-me da nossa felicidade em perceber outra espécie pelo passeio: com muito cuidado, abaixamos para observar o outro ser que, assim como nós, vive neste planetinha azul. Ela ficou parada por um tempo, mas logo depois se esquivou.

Seguimos nosso passeio. Passamos pela ponte de madeira – abaixo da passagem uma espécie de barragem permite observar o volume de água controlado pelo bloqueio, descendo rio abaixo. Por fim, chegamos ao bambuzal. Cada um se instalou em um banco, de maneira a se sentir mais à vontade. Uma das lembranças que tenho é de estar deitada no banco de madeira, olhando fixamente para um inseto. Estava com o corpo solto e relaxado, sem me preocupar com o tempo. Sem culpa. De repente, o inseto que estava ali, parado e imóvel, veio na direção dos meus olhos e me assustou. Eu e meus queridos amigos estávamos tão conectados naquele momento e nem sequer demos importância para o movimento externo, exceto um homem que estava sentado em um banquinho que fica na beira do lago. Estava sozinho, em contemplação.

A tarde já ia caindo e a noite da Primavera, vindo. Decidimos ir até o banco onde estava sentado aquele homem. Nunca vou me esquecer das expressões dos meus amigos ao ver o que aquele homem – desconhecido – havia escrito na areia, enquanto observava nossa vivência naquela tarde: “amizade”. Em volta da palavra, um coração.

Essas lembranças estavam dormentes e foram trazidas pela estação. Vou colocá-las em um vaso – assim como as flores – no meu subconsciente para enfeitar minha alma por vidas infinitas.

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