Vivian Guilherme

Um basta à censura musical

Na última semana, uma amiga advogada compartilhou uma notícia na internet, que julguei ser alguma daquelas brincadeiras de sites como o Sensacionalista, ou algum outro que costuma fazer piada com coisas que aconteceram na semana. Mas, infelizmente, ao procurar mais sobre o assunto, fiquei perplexa ao saber que era verdade.

O cantor Bell Marques, famoso por sua participação na banda de axé Chiclete com Banana, foi obrigado a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público após uma polêmica gerada pela música “Cabelo de Chapinha”, que chegou a ser considerada racista. O cantor e os compositores Felipe Escandurras, Fagner e Gileno resolveram mudar alguns versos e o nome da canção, que passa a se chamar “Minha Deusa”.

Não, eu não gosto de axé. E achei a letra original de mau gosto. Mas acho um completo absurdo um artista ser obrigado a mudar o seu trabalho por qualquer motivo que seja. É aí que entramos em um problema bastante sério, a linha tênue entre o cerceamento de opiniões e a censura. Será que alguém pode determinar o que você pode ou não cantar?

O mais engraçado nessa história toda é que nunca vi um funkeiro sequer ter de assinar TAC e mudar letra de música por falar coisas muito mais machistas e racistas do que a canção do cantor baiano. Ah, é porque “Apaixonado”, do MC Smith, é suuuuper feminista e não precisa de retratação! Ok. E o que dizer então de “Cabelo Encolheu”, do MC Frank, que tem exatamente a mesma letra da música censurada?

Eu acho é bastante engraçado. Aliás, eu acho no mínimo ridículo esse pessoal que fica aí bradando, batendo no peito e pedindo para mudar uma letra de música só porque ela fala de ‘chapinha’, mas está lá levantando cartazes a favor do espetáculo “Macaquinhos” (aquele que foi polêmica na internet por trazer atores colocando o dedo no ** uns dos outros). Se há direitos para a liberdade de expressão em “Macaquinhos”, por que não haverá em “Cabelo de Chapinha”?

Se ainda existem canções que disseminam o machismo e o racismo é porque há pessoas que consomem esse tipo de produto. E fazer com que eles parem de existir não vai fazer com que as pessoas parem de procurar por produtos como esse. A oferta não determina o mercado, o que determina é o consumidor. Então, que tal se preocupar em formar melhor os nossos jovens, do que perder tempo censurando a produção cultural? Afinal, ainda bem, não estamos mais em 1968.

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