Favari Filho

Ulysses

As placas de concreto com a silhueta de Ulysses Guimarães em toda a extensão do Anel Viário são as homenagens mais bonitas e importantes da nossa história recente, pois este rio-clarense de registro contribuiu demais para o desenvolvimento da Nação. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo [USP], teve uma vida acadêmica ativa, participou do Centro Acadêmico XI de Agosto [instituição que homenageia a data da lei que criou as duas primeiras faculdades de direito do Brasil] e exerceu a vice-presidência da União Nacional de Estudantes (UNE).

Nascido na vila de Itaqueri da Serra [atualmente distrito do município de Itirapina], logo ascendeu na política [essa “arte do possível”, como bem definiu o chanceler de ferro, Otto von Bismarck] e teve uma importante trajetória juntamente com Eduardo Suplicy, Fernando Henrique Cardoso, Franco Montoro, Leonel Brizola, Luís Carlos Prestes, Mário Covas, Miguel Arraes, Moreira Franco, Orestes Quércia, Roberto Freire e Tancredo Neves nas campanhas pela redemocratização do País.

Antes, porém, atuou como deputado [estadual e federal] e foi presidente da Casa de Leis do Distrito Federal em duas ocasiões distintas [de 2 de fevereiro de 1956 a 2 de fevereiro de 1958; e de 2 de fevereiro de 1985 a 2 de fevereiro de 1989 (neste último período, aliás, presidiu a Assembleia Nacional Constituinte em 1987-1988)] e também concorreu à Presidência da República na eleição de 1989 [na qual ficou na sétima colocação e obteve 3.204.932 votos o que, à época, representou 4,73 % do eleitorado] cujo eleito foi Fernando Collor de Mello.

Mas voltando à Cidade Azul, para além da placa de concreto que remete a este político com pê maiúsculo, acredito que seria demasiadamente justo revitalizar as placas com as frases de Ulysses que, salvo engano, foram espalhadas em todo o canteiro [desde o Barsotti até a Banca do Carlinhos] ainda na década de 1990. As inscrições faziam toda a diferença para quem transitava por ali diariamente e, sim, ainda há duas plaquinhas na via, porém já com as letras apagadas, quase que como a memória das novas gerações no que diz respeito a este ilustre Guimarães.

Frases como: “A censura é a inimiga feroz da verdade. É o horror à inteligência, à pesquisa, ao debate, ao diálogo”; ou “É o voto, somente o voto, que faz a acoplagem dos cidadãos com os homens públicos e o Estado”; ou ainda “Democracia é o convívio de contrários”, evidenciam a diferença entre POLÍTICO e político! Portanto, sugiro às autoridades locais (atuais e as que virão!) – com toda a modéstia de um cronista – que refaçam as plaquetas com os dizeres do Dr. Ulysses – independente de quem tenha sido a ideia inicial, pois como bem ensinou este nosso conterrâneo “não se pode fazer política com o fígado, conservando o rancor e ressentimentos na geladeira. A Pátria não é capanga de idiossincrasias pessoais”.

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