Carine Corrêa

A tocha olímpica e o símbolo do fogo

Sábado com a tribo e, no centro, o fogo. Uma vez por mês, o Lua Branca celebra a vida com dança circular ao redor da fogueira em Rio Claro, mais precisamente em Ajapi. No sábado, a fogueira acalorou o coração da minha mãe, que esteve em nosso espaço xamânico no fim de semana pela primeira vez. Foi muito especial para mim. Embora a celebração seja em silêncio, na segunda parte da vivência, ela observou: ‘O fogo hipnotiza as pessoas, não é?’ Fiquei com essa pergunta na cabeça.
Dias depois, recebo um texto do Tom com a seguinte pergunta: “Você apagaria a tocha olímpica?”. A tocha cruzou Rio Claro nessa quarta-feira, dia 20. O texto explica um pouco mais sobre o ‘roubo’ do fogo na mitologia grega: Prometeu praticou o delito, só não sei se deu flagrante, e roubou a chama de Zeus. O texto compartilhado pontua a simbologia da tocha olímpica como uma ‘causa nobre que a Olimpíada traz entre os países’.
Um dos quatro elementos que regem o planeta, o fogo foi utilizado pela primeira vez pelo homem lá na pré-história. “A partir desta conquista, o homem aprendeu a utilizar a força do fogo em seu proveito, extraindo a energia dos materiais da natureza ou moldando a natureza em seu benefício. O fogo serviu como proteção aos primeiros hominídeos, afastando os predadores. Depois, começou a ser empregado na caça. No inverno e em épocas gélidas, o fogo protegeu o ser humano do frio mortal. O ser humano pré-histórico também aprendeu a cozinhar os alimentos em fogueiras e o calor matava muitas bactérias existentes na carne”, diz uma explicaçãozinha via Google.
Não assisti à passagem da tocha pela Cidade Azul. Mas essa mobilização toda pelo fogo da tocha, de certa forma, traz uma simbologia ancestral. O que me fez lembrar do amigo filósofo Kevin – que agora está explorando os mistérios da cidade peruana de Machu Picchu. Ao final de uma vivência no Céu da Lua Branca, ele sugeriu um modelo de sociedade cujo topo da hierarquia fosse ocupado pelo fogo e, onde eu estava? Sentada em volta da rainha e imperadora fogueira, hipnotizada pela chama. Agora, consigo responder à pergunta: “Você apagaria a tocha olímpica?”. Descobri que quero que o fogo jamais se apague, ao contrário, que possa agregar sempre mais e mais pessoas ao seu redor.

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