Roberta Moraes

SUICÍDIO

O comportamento suicida está associado com a impossibilidade do indivíduo de identificar alternativas viáveis para a solução de seus conflitos, optando pela morte como resposta de fuga da situação estressante. Uma série de fatores estão associados com o risco de suicídio, incluindo doença mental, drogadiçáo, bem como fatores socioeconômicos. Embora as circunstâncias externas, tais como um evento traumático, possam desencadear o suicídio, não parece ser uma causa independente. Assim, os suicídios são mais prováveis de ocorrer durante os períodos de crise socieconômica, crises familiares ou uma crise individual.

Segundo a OMS, os transtornos psicológicos que estão mais associados com o risco de suicídio são :

  • Transtornos de humor (Depressão maior, Distimia e Transtorno bipolar)
  • Psicoses (Esquizofrenia, Transtorno Esquizoafetivo, Transtornos delirantes)
  • Transtornos de ansiedade (transtorno de estresse pós-traumático, Transtorno obsessivo-compulsivo e Transtorno de ansiedade generalizada)
  • Demências (como Alzheimer, Demëncia vascular e mal de Parkinson)
  • Transtorno de personalidade (especialmente borderline, antissocial, histriönica e esquiva)

Os transtornos mentais são frequentemente presentes durante o momento do suicídio, com estimativas de 87% a 98% dos casos. Transtornos de humor estão presentes em 30%, abuso de substäncias em 18%, esquizofrenia em 14% e transtornos de personalidade em 8 a 20% dos suicídios. Estipula-se que entre 5 e 15% de pessoas com esquizofrenia morrem de suicídio.

Outros fatores importantes que deveriam ser considerados, pois seriam mais comuns entre aqueles que tentam suicídio:

  • Planejar o suicídio
  • Acesso ao método de suicídio
  • Tentativas anteriores (as duas semanas após a tentativa é que tem mais risco);
  • Eventos estressores recentes (como perda do emprego, morte de ente querido, desastres naturais, guerras, diagnóstico de doença e divórcio)
  • Idade entre 13 e 19 anos (35% dos adolescentes brasileiros entre 13 e 19 anos tem ideação suicida) ou depois dos 65 anos.
  • Rede de apoio social restrita (poucos amigos e cuidadores)
  • Nível sócio-econômico e nível educacional baixos
  • Traumas, tais como abuso físico e sexual
  • Baixa auto-estima e desesperança
  • Questões de orientaçáo sexual (tais como homossexualidade e transsexuais)
  • Pouco discernimento, falta de controle da impulsividade, e comportamentos auto-destrutivos;
  • Poucos recursos (cognitivos, materiais, funcionais e sociais) para enfrentar problemas;
  • Doença física (como HIV) e dor crônica;
  • Exposição ao suicídio de outras pessoas
 
Fatores sócio-económicos como o desemprego, a pobreza, falta de moradia e discriminaçáo  podem provocar pensamentos suicidas. A pobreza pode não ser uma causa direta, mas pode aumentar o risco de suicídio, pois é um grupo de risco para depressão

No Brasil, 4,9 pessoas a cada 100 mil morrem por suicídio por ano, uma das menores médias do mundo. E ao contrário do resto do mundo onde é mais comum entre adultos, no Brasil há uma prevalência entre os jovens entre 15 e 24 anos. Entre os estados, o Rio Grande do Sul é o que tem a maior taxa, 9,88 para 100 mil. Entre as cidades, o município com o maior índice é o de Amambai (MS), com mais de 49,3 casos a cada 100 mil habitantes, uma das cidades com maior índice de suicídio do mundo.  Um dos métodos mais comuns no país são venenos como o agrotóxico Tamaron.  Foram registradas 7.987 mortes por suicídio no País. Entre os índios, o índice de suicídio foi de 98 por 100 mil, um índice alarmante que já responde por 81% dos suicídios em Mato Grosso do Sul e no Amazonas.

No Rio Grande do Sul, em 2004, foi identificada a maior mortalidade masculina por suicídio do país com 16,6 mortes a cada 100 mil homens, enquanto Maranhão ficou em último lugar com 2,3 mortes a cada 100 mil homens. Em relação às mulheres, Mato Grosso do Sul ocupou o primeiro lugar com 4,2 mortes a cada 100 mil mulheres, e Rio Grande do Norte o último com mortalidade de 0,6 a cada 100 mil mulheres.

Em 2005, seguindo as recomendações da OMS para combater o aumento no número de casos, foram elaboradas políticas nacionais de prevenção ao suicídio, atuando em esfera nacional, estadual e municipal. Uma situaçáo muito séria e que precisa ser enfrentada!

 

CUIDE-SE!

Até a próxima!!!

RLM

 

 

REFERÊNCIAS:

1.Bertolote JM, Fleischmann A, De Leo D, Wasserman D. (2004). “Psychiatric diagnoses and suicide: revisiting the evidence”. 

2. Bouhebent Barone, Facundo ; Rodriguez Garín, Eduardo; Skokin Marisú. (junho 1997). Suicidios consumados por pacientes psiquiátricos.

3.Ministério da Saúde. Sistema de Informações sobre Mortalidade – DATASUS 

 

 

 

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