Carine Corrêa

Rituais seculares que unem os seres

Somos seres seculares ritualísticos. Cada um, à sua maneira, deve ter em sua rotina algum tipo de ritual para manutenção da vida, dia a dia, ano a ano, século a século.
Eu prefiro me lembrar de rituais sagrados que guardo na memória. Um deles compartilhei junto aos amigos Danielle e Matheus durante um encontro espiritual que aconteceu em São José do Rio Preto.
No centro, dezenas de velas iluminavam o espaço sagrado. Ao redor, pessoas formavam um círculo para que pudesse acontecer o rito. Chegamos um pouco atrasados e a dinâmica já havia se inciado. Ao meu lado direito sentou-se Danielle. Ao esquerdo, o Matheus.
Foi então que entendi que a dinâmica compreendia lavar a mão do amigo ao lado, que por sua vez lavou as mãos de quem estava ao lado dele. Nesta hora, voltei alguns anos atrás em outra situação. Meu falecido avô, certa vez, lavou meus pés durante um ritual em uma outra matiz religiosa que frequentava. Não pude evitar a emoção ao sentir a água, que foi o gatilho para resgatar essa lembrança, lá de trás.
O cachimbo é um dos instrumentos utilizados comumente em rituais indígenas. Quando foi introduzido nas Américas, “fazia parte de rituais sagrados dos povos ameríndios significando, para algumas culturas, a união do mundo terrestre (representado pelas folhas) com o celeste (representado pela fumaça)”. Na Tailândia, todos os anos no mês de novembro ocorre o Festival das Luzes e Festival das Lanternas em homenagem a Buda. Conhecido como Loi Krathong, o Festival das Luzes acontece em várias cidades simultaneamente e se repete ritualisticamente todos os anos. Da Tailândia para Rio Claro, dançamos todos os meses em volta da fogueira, para celebrar a vida. Somos seres seculares ritualísticos.

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