Vivian Guilherme

Resgatando relíquias

Procurando um assunto para escrever nesta coluna no meio desse feriadão quase meio prolongado, fui rolando a barra de status do Facebook e, coincidentemente, dois assuntos, aliás, o mesmo assunto, de duas formas diferentes apareceu na telinha e percebi que esse seria o rumo ‘da prosa’.

O primeiro assunto foi a capa do disco de Nelson Gonçalves, que há dias vem aparecendo para mim em qualquer site que entro. A internet é assim, você entra um dia em um link de um produto e ela fica te mostrando aquele item a todo tempo, só esperando você sucumbir à tentação e comprar mais alguma coisa. Bom, mas entrei no link do disco do Nelson porque meu marido mandou o endereço, só pra mostrar o quanto valia a compilação com cinco vinis que temos na estante de casa. É o álbum “50 anos de boemia”, relíquia herdada do vô Nenê e que está em perfeito estado.

O segundo assunto foi a foto que o colega jornalista Ivo Rosalem postou nas redes sociais, mostrando seu sobrinho brincando com uma ‘sonatinha’, aquela vitrolinha pequena. Enfim, temos aí algo bacana: vinil! E há algo mais bacana nesse mundo musical do que vinil? O mais legal mesmo do vinil é ver que esse pessoal novo, que vem aí se gabando de entender pra caramba de música, nunca soube o que é ir à loja procurando uma agulha. E, nossa, como custava caro uma agulha!

Na semana retrasada, nosso sobrinho foi em casa e, enquanto arrumávamos o acervo do Grupo Auê e aquele incontável número de itens que o meu marido cataloga no escritório do apartamento, o Pedrinho achou uma fita cassete no meio da bagunça. Ele ficou olhando, olhando e perguntamos se ele sabia o que era aquilo. Ele tirou da caixinha, balançou e falou: “música!”. Depois fizemos um intensivo sobre vinis, deixamos ele escolher entre as diversas opções e tocar alguns discos na vitrola.

Ele ficou ali por cerca de quarenta minutos, sentado em uma cadeira, na frente da vitrola, ouvindo todas as faixas do álbum “Dois”, da Legião Urbana. Ficamos até espantados de ver que ele não quis saber da televisão, nem do computador, só ficou ali um tempão escutando com paciência o disco de vinil.

Na verdade, eu fico feliz de ainda termos uma coleção dessas e que, no futuro, poderemos mostrar a nossos sobrinhos, filhos e netos como a música era feita tempos atrás. E fico triste ao pensar em quantas e quantas crianças se tornarão adultos e que nunca saberão o que é um vinil, uma fita cassete e nem mesmo um CD.

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