Vivian Guilherme

Que falta faz o ‘som palpável’

Em tempos de MP3, iPod, internet, YouTube, do que eu mais sinto falta, sem dúvida, é de poder tocar o som. O conceito parece absurdo, mas somente entenderá quem já colecionou discos, fitas K7 e CDs. É um prazer tátil poder tocar um vinil e acompanhar as letras pelo encarte, ler as dedicatórias e apreciar as fotos.

Sempre fui uma pessoa de colecionar esses itens, organizar na estante por ordem alfabética e as coleções do mesmo músico por ordem cronológica. Sempre que tirava para ouvir, abrindo a caixinha, tirando o encarte e observando cada detalhe. Lembro até mesmo que o encarte de ‘Jagged Little Pill’, disco mais famoso de Alanis Morissette, de tão usado, cheguei a tirar uma cópia em xerox. Uma andava comigo dentro da bolsa e a outra permanecia intocável dentro da caixinha.

Talvez porque a letra de uma música sempre foi para mim muito importante, que significava algo além da própria música. Pelo mesmo motivo que tinha outra mania, um tanto quanto estranha, traduzir as canções em inglês, digitar no computador, imprimir e catalogar em um fichário. Eu e a prima Nivia vivíamos trocando as letras e aumentando a coleção do fichário, o que pode parecer absurdo na verdade foi muito útil, tudo que sei de inglês até hoje aprendi dessa forma.

Fico bastante triste quando percebo que o conceito de disco, as letras e a parte visual/tátil dos álbuns, desapareceu e que a maior parte dos jovens nem sabe o que isso significa. Inclusive, até mesmo o conceito de álbum desapareceu, os músicos compõem músicas aleatórias para lançar em lojas virtuais e a ideia de compor uma obra, com uma sequência de músicas lógica, letras que se conversam entre si e, uma arte que completa o todo, não existe mais. Infelizmente…

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