Vivian Guilherme

Qual o problema das novelas atuais?

Uma notícia movimentou o setor de teledramaturgia nos últimos dias. A novela “Rei do Gado” (1996), que começou a ser reprisada na Rede Globo, no Vale a Pena ver de Novo, no último dia 12 de janeiro é recorde de audiência do horário da tarde. Por isso, a emissora até decidiu ampliar o tempo de exibição, aumentando para até 1h20 cada capítulo, pois normalmente os capítulos do período duravam 30 minutos.

O fato trouxe a discussão sobre o sucesso das novelas da Globo dos anos 90 e o fracasso das tramas atuais. O Viva, canal de tevê por assinatura que traz reprises da Globo, é um dos líderes de audiência na faixa de horário das novelas. Atualmente, o canal reprisa três programas dos anos 90: ‘Tropicaliente’ (1994), ‘O Dono do Mundo’ (1991) e ‘Pedra Sobre Pedra’ (1992).

Fato é que as recentes tramas dificilmente conseguem atingir os índices de audiência que as novelas de duas décadas atrás obtinham. Rei do Gado, em sua transmissão original, chegou a 60 pontos, com médias bastante elevadas, porém a atual ‘Império’ – transmitida no mesmo horário – chegou ao máximo de 50 pontos.

O maior sucesso da emissora nos anos 2000, ‘Avenida Brasil’, também não conseguiu superar o sucesso da novela de 1996, que retratava a vida de Bruno Mezenga. Então, qual o problema das novelas atuais? Por que elas não conseguem mais cativar as pessoas como faziam na década de 90?

Claro que vários fatores influenciam nos números de audiência, como a facilidade no acesso à internet, com muitos telespectadores migrando para novos formatos de entretenimento, e também a tevê por assinatura, que cresceu e já chega a mais de 19,8 milhões de consumidores.

Entretanto, não é raro ouvirmos no dia a dia as pessoas reclamando das tramas de hoje e relembrando com carinho as histórias de outrora. Eu acredito que em grande parte isso se deve à forma de conduzir a narrativa e também às próprias histórias. São anos e anos apostando na mesma fórmula, nos mesmos enredos e em uma tentativa, frustrada, de retratar a realidade de agora. Os autores parecem se esquecer de que escrevem uma ficção e tentam criar personagens para cumprir ‘cotas’, e não contribuir para o todo da história.

Sem contar as referências diversas que, antes, eram muito mais profundas. Quem está acompanhando a reprise de ‘Dono do Mundo’ pode ver situações em que livros como ‘Feira das Vaidades’, de Thackeray, são citados e relacionados diretamente à história dos personagens. Parece que se foi o tempo em que novela era, pelo menos um pouquinho, cultura.

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