Favari Filho

Porvir

Oportuno discorrer acerca do futuro do Brasil diante dos acontecimentos políticos recentes, porém, acredito sinceramente, que o País caminha agora, ainda que lentamente, para uma nova e melhor etapa. A ex-presidente Dilma Rousseff e os seus apaniguados até que tentaram desqualificar o impeachment repetindo como papagaios de pirata que o processo – amparado na lei 1079 datada de 10 de abril de 1950 e que segue à risca as normas estabelecidas pela Constituição Federal de 1988 – configurava um “golpe”; vejam só o tamanho da incoerência da afirmação: como pode ser golpe algo que tramita a rigor da lei. Enfim, como diria o Mano Brown: “quem tem boca fala o quer”, não é mesmo?

Pois bem! O importante, entretanto, é que os filhos da Pátria Amada estão mais políticos e, aparentemente, mais interessados em matérias que atingem direta ou indiretamente a vida cotidiana, ou seja, estamos vivendo o amadurecimento da democracia, que nada mais é que a arte do convívio e da tolerância entre ideias divergentes. O fato deixa os atuais “representantes” em polvorosa, pois nunca, jamais, em tempo algum, precisaram lidar com sentimentos assim tão à flor da pele; o gigante acordou e, por isso, a intelligentsia sinistromana tenta desqualificar qualquer manifestação contrária, taxando os opositores no campo das ideias disso ou daquilo, anulando assim, o debate que é fundamental para o desenvolvimento de qualquer sociedade.

O que Dilma e sua claque fingem não perceber é que as pedaladas fiscais – que consistem em atrasos de repasses do Tesouro Nacional aos bancos públicos para o pagamento de benefícios sociais – são fatos concretos que implicam no impichamento LEGAL e que, mesmo denunciados, pasmem!, continuaram acontecendo durante todo o ano de 2015. Sem contar o possível envolvimento de dinheiro de empreiteiras na campanha da reeleição, que é outro processo, mas também diz muito a respeito da relação promíscua entre a política e o empresariado brasileiro.

A parceria funesta entre governo e empreiteiras, aliás, sempre existiu, assim como a corrupção que, é verdade, não foi inventada agora, contudo parece ter sido institucionalizada e seguida como regra. Abro um parêntese para ilustrar que, conforme consta do livro ‘Notícias do Planalto’ [uma aula acerca dos fatos ocorridos na Era Collor, cuja leitura recomendo!], de Mario Sergio Conti, a Andrade Gutierrez doou mais de 7 milhões de dólares para a campanha do Caçador de Marajás, em 1989. Da mesma forma, em denúncia publicada na Folha de S. Paulo no início do mês de abril, a segunda maior empreiteira do Brasil também fez doações para a campanha da Mãe do PAC, porém a investigação trabalha com a tese de que o dinheiro advenha de propinas cobradas em obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico.

Acabo de lembrar uma história que tomei conhecimento através de outro livro muito interessante também, de autoria de Gilberto Dimenstein, intitulado ‘As armadilhas do poder’. Diz que para facilitar o trânsito das almas decaídas e redimidas, Deus e o Diabo resolveram construir uma ponte entre o céu e o inferno ficando cada um responsável pela metade da obra. Depois de um ano, o Diabo estava orgulhoso com a conclusão de sua parte, entretanto, o lado de Deus ainda sequer havia sido iniciado. Questionado e constrangido pelo fato, Deus, justificou: “Procurei muito, mas aqui no céu não encontrei nenhum empreiteiro”. Pois é, anedotas à parte, o importante é que a queda de Dilma, a prisão de políticos e empresários corruptos, a divulgação diária de novos fatos pela imprensa livre são apenas os primeiros capítulos dessa história que deve resultar em um novo porvir. Alea jacta est!

Outros posts deste autor
Ainda o samba
Ulysses
Cantiga de ninar
Um só…
Uma década de Rolling Stone

Um comentário

  • Sérgio Andrade Vargas
    16 de junho de 2016 - 18:21 | Permalink

    E eis que a Lava Jato resvala em Reinaldo Azevedo, através de Luiz Carlos Mendonça de Barros, um dos homens fortes de FHC na economia.

    Sergio Machado citou Mendonça de Barros em sua delação. Mendonça de Barros, coordenador da campanha de reeleição de FHC, teria providenciado 4 milhões de reais — em dinheiro da época — para que Aécio financiasse 50 candidatos a deputados federais que lhe permitissem virar depois presidente da Câmara.

    Mais ou menos na mesma época, Mendonça de Barros estava montando uma revista chamada Primeira Leitura, em que Reinaldo Azevedo foi uma figura capital.

    De onde veio o dinheiro para o lançamento da revista? De sobras de campanha?

    É uma pergunta interessante e pertinente.

    Em 2004, Mendonça de Barros deixou a revista, que nunca chegou a decolar nem em público e nem em prestígio. Ele provavelmente cansou de colocar dinheiro — fosse dele mesmo ou de sobras de campanha.

    A Primeira Leitura continuou mesmo assim, com Reinaldo Azevedo no timão.

    A vida pós-Mendonça não foi nada fácil no quesito financeiro. Virou notícia uma mãozinha dada pelo governo Alckmin por meio de publicidade da Nossa Caixa.

    Alckmin é sempre generoso, com o dinheiro público, quando se trata de mídia amiga, por mais irrelevante que seja. Soube-se também, há não muito tempo, que um site chamado Implicante, dedicado a atacar o PT, era bancado por Alckmin.

    Mas nem assim a revista sobreviveu.

    Numa entrevista de 2006 ao Observatório da Imprensa, Reinaldo Azevedo tentou explicar os anúncios da Nossa Caixa. Eles eram no mínimo estranhos. Que a Nossa Caixa estava fazendo numa revista supostamente sofisticada, lida por pessoas que hoje seriam classificadas como coxinhas?

    Azevedo tergiversou. Disse que os números justificavam. Falou em 2 milhões de acessos do site da Primeira Leitura. Ora, apenas como referência, o DCM tem dez vezes mais que isso.

    Na entrevista, ele teceu elogios entusiasmados à Veja. “Eu gosto muito da Veja. Se fizesse uma revista semanal, gostaria que ela fosse como a Veja”, afirmou. Disse que não se tratava de pedido de emprego, mas o fato é que os elogios funcionaram exatamente como isso.

    Ele acabaria inaugurando na Veja, ao lado de Diogo Mainardi, o colunismo de famulagem: a defesa estrepitosa é intransigente dos interesses dos patrões. Uma carreira medíocre alçou vôo assim.

    Acabaram-se, na Veja, seus problemas de dinheiro. Até porque a Abril tinha notável domínio na arte de mamar em dinheiro público — de anúncios a financiamentos do BNDES, da venda de livros e assinaturas a isenções fiscais como o papel imune.

    Fica agora por esclarecer o dinheiro que sustentou a Primeira Leitura de Mendonça de Barros e Reinaldo Azevedo.

    Copiado do Jornalistas Paulo Nogueira.

    Lembremos que, muitos que se dizem jornalistas e escrevem suas excrecências, comem na mão desses poderosos e por isso, que a imparcialidade midiática jamais será seguida num regime como o nosso. Somos um país com histórico golpista e por isso seremos sempre chamados de Republica Bananeira!!!

  • Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    JCblogs Produzido por Gabriel Ferrari Mariano