Carine Corrêa

Olhando além

Sincronismo. Quando você se abre para os acontecimentos, logo percebe associações entre diferentes situações. É o famoso ‘nada é por acaso’; a narrativa da vida e nós – os personagens – em cíclica construção.
O filme baseado em fatos reais O Mestre da Vida, do diretor e roteirista George Gallo, mostra a história de John Talla, um talentoso estudante de artes de 18 anos que quer se tornar um grande artista. Ele conhece o pintor Nicoli Seroff, que passa a ser o seu mestre. O mestre ensina a revelar a beleza através da arte. Os olhos dão cores e magia para uma ação rotineira. “A arte compartilhada faz parte da validação do sentir. Se ver beleza por toda parte, sua alma é libertada. Ninguém pode roubá-la. Para poder criar uma grande arte, o homem deve fazer as pazes com a mortalidade e reverenciar o maior reverenciador: a sua divindade. O artista eleva a alma humana”.
Pouco depois do filme, faço a leitura do livro O Palácio Japonês, do escritor José Mauro de Vasconcelos. O protagonista, Pedro, é um pintor solitário e há muito não produz um quadro. Em uma de suas frequentes visitas à Praça da República, em São Paulo, descobre um magnífico palácio oculto, onde vive um pequeno príncipe japonês chamado Tetsuo. O tema principal da obra é a morte, abordada de uma forma cálida, com brandura. Uma obra de doçura triste. Depois que provou da beleza do Palácio, os quadros de Pedro passaram a transmiti-la. Inevitável associar o feito às palavras do pintor Nicoli Seroff em O Mestre da Vida. Senti como se a alma do personagem do livro fosse libertada, aos poucos, depois que, além de observar, absorveu.
Quem notou a similaridade entre as palavras ‘observar’ e ‘absorver’ foi o poeta das ruas Eduardo Marinho. “Todo mundo observa, mas nem todos absorvem”. Foi assim que percebi o quanto olhar além do habitual traz revelações. Além do lado artístico e poético, existem também algumas ‘sacadas’ da vida. “Quando percebe que é um processo de aprendizado, primeiro a dor perde o aspecto dramático e ganha o aspecto didático. Você para de fazer drama e começa a buscar que ensinamento tem o sofrimento”. Entre as poesias e aprendizados das ações rotineiras, passava os olhos na obra do pintor israelense Leonid Afremov. A imagem revelou os dois aspectos: a magia que passa desapercebida e que a vida segue em frente. As cores vibram porque consegui enxergar além…

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