Carine Corrêa

O primeiro voo do Condor

Assistindo a um documentário no Netflix – Earth’s Natural Wonders – me senti aprisionada no meu corpo. Aprisionada enquanto acompanhava o primeiro voo de um filhote de condor – maior ave da América do Norte e que está à beira da extinção. O animal tem uma envergadura de cerca de 2,7 metros que permite aproveitar as correntes de ar criadas nos vales do Grand Canyon.

Enquanto aqui na terra travamos conflitos internos e entramos em conflito com o outro, lá no paredão moldado durante milhares de anos pelo Rio Colorado um filhote raro de condor tenta não perder a vida no seu primeiro voo.

É vida ou morte. Tem que saltar e aprender imediatamente, senão fracassa. O vento balança suas penas. Ele ainda é desajeitado, tadico. Tem aquela cara de joelho [risos], e ainda não desenvolveu por completo sua envergadura.

Queria eu fazer como no clipe do Pink Floyd, Learning to Fly. Colocar uma peninha no braço e sair sobrevoando pela Cidade Azul, ou até mesmo conquistar os rochedos do Grand Canyon. Quem sabe um dia. A vontade maior mesmo é de aprender com ele. Sobrevoar os conflitos como um observador, em plena paz, e ainda de tabela curtir um ventinho na cara [risos].

Tem hora em que é preciso voar, sabe? Deixar um pouco o ego lá embaixo e tentar entender com serenidade o porquê de tantos conflitos. Lembrei-me de um mesmo sonho que se repetiu em algumas noites durante minha infância. Eu sonhava que podia voar, assim como o filhote de condor. Era como se eu estivesse convicta de minhas habilidades aéreas e que pudesse voar, mesmo acordando do sonho.

O biólogo Chris Parish e o especialista Eddi Feltes acompanham de longe o primeiro voo do filhote e…lá vai ele! Sobrevoa e explora pela primeira vez as paisagens do desfiladeiro. Queria eu conquistar o silêncio das alturas, e fugir um pouco do barulho dos humanos. Ou da minha cabeça.

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Um comentário

  • Carmen Lucia
    31 de outubro de 2015 - 10:02 | Permalink

    Adoro ler o que você escreve. Parabéns !

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