David Chagas

Mara David

“Dorme, Mara, dorme teu sono, coração liberto,

Mara, dorme na mão de Deus, eternamente!”

Não esperava por tantas despedidas neste ano da graça. Quantas das pessoas do meu relacionamento disseram adeus, algumas, sem aviso prévio, como se fosse fácil entender a separação que se impõe com a despedida.

Hoje haveria muito o que comentar. Deveria mesmo ocupar-me de assuntos que pululam no país do sul, mas o aceno final de Maria Antonia David é  assunto que, por certo, ocupa páginas de diferentes jornais, está em inúmeros programas de rádio, vai tocar fundo muitos corações rio-clarenses que conheceram a jornalista ou foram seus leitores por mais de cinquenta anos.

Neta do major José David Teixeira, jornalista de proa, homem de caráter, o grande nome da imprensa rio-clarense, Mara, a decana do jornalismo de hoje, na cidade, assumiu, ao lado do irmão e da tia o comando do jornal Diário, nos anos 70, periódico que ao longo de mais de oitenta anos, pertenceu à família David. Nele instalou sua coluna, MARA COMENTA, sobre diferentes assuntos que interessavam à comunidade.

Aos 92 anos, lutava bravamente para permanecer um pouco mais conosco, não sem algum sofrimento. Hora de descanso e de paz, não pelo tempo vivido, mas pelo que impõe a velhice. No entanto, dói. Querida de quantos a conheceram, deixa, na filha, Adriana Maria, o registro da sua dedicação como mãe, como mulher, como ser humano extraordinário que soube ser.

Ao amanhecer desta quinta-feira olho o céu. Límpido e azul metaforizam os olhos de Mara esparramados sobre a cidade que amava, olhando-nos a todos, querendo de algum modo fazer saber que permanece, que sua história se imortaliza nos jornais da cidade, nos textos que escreveu e se estende no coração de quantos souberam estar com ela e amá-la.

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