Favari Filho

Impeachment

À medida que os dias passam, mais nítida a certeza de um impeachment da presidente Dilma Rousseff. E não por golpe [afirmação desmedida que, convenhamos, não tem o menor cabimento em pleno século 21] ou insistência da oposição “que quer implantar o retrocesso no País”, como insistem em afirmar os defensores do projeto de Poder iniciado em 2002, nada disso! O impedimento, assim que ocorrer, terá sido por pura irresponsabilidade e desfaçatez do governo.

Alguns defensores da “presidenta” (abro um parêntese, aliás, para expor o quanto este vocábulo é horrível, pois, além de demarcar a subserviência dos acólitos de Dilma, não contém qualquer eufonia) ainda tentam justificar com a falsa afirmação de que a economia do mundo está ruim e que, por isso, o reflexo influenciaria na atual situação brasileira; há também aqueles que se apegam ao fato de que a presidente foi eleita com pouco mais de 54 milhões de votos e que todo o movimento para o seu impichamento faria parte de uma conspiração maléfica. O que não é verdade, pois há total insatisfação com os resultados e as mentiras que vêm sendo contadas aos brasileiros.

O que interrompeu a escalada do projeto audacioso que inclui corrupção, fraudes e mentiras – muitas mentiras! – acredito, foi a Operação Lava-Jato, que levou para o centro das denúncias nomes importantes da intelligentsia sinistromana que estão e estiveram lado a lado com a presidente e o seu criador, Luiz Inácio da Silva. Também o fato de o custo de vida ter sido alçado, demasiadamente, às alturas nos últimos meses, fato que mexeu diretamente no lugar mais sagrado da população brasileiro, ou seja, o seu bolso. O consumo desenfreado proporcionado pelos governos Lula/Dilma foi uma anestesia imoral usada para instaurar a corrupção como regra e para neutralizar os brasileiros que viveram uma falsa bonança e que, agora, sofrem com a terrível tempestade.

Contudo, para haver impeachment não basta apenas insatisfação da nação, é preciso uma justificativa legal, ou melhor, ilegal, uma pedalada eu diria, cometida pela presidente e/ou seu governo. O que, de acordo com os noticiários, já existe. O afastamento da presidente é traumático, dirão os ainda em cima do muro. Sim!, mas a queda de Collor, por exemplo, significou um avanço para o Brasil. Há vinte e três anos, no dia 1º de setembro de 1992, em meio a uma onda de manifestações, foi apresentado à Câmara dos Deputados o pedido de impeachment do Caçador de Marajás, assinado pelos presidentes da Associação Brasileira de Imprensa, Barbosa Lima Sobrinho, e da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcello Laveniére. Vinte e oito dias depois a Casa de Leis votou a favor da abertura do processo e, em 30 de dezembro de 1992, por 76 votos a favor e 3 contra, Fernando Collor foi apeado da Presidência.

Coincidentemente ou não, na semana passada os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. apresentaram um pedido de impedimento de Dilma Rousseff, com assinatura de diversos movimentos sociais, ao presidente do Legislativo, Eduardo Cunha, que pode ou não colocar a matéria em votação; tudo vai depender da estratégia adotada pelos congressistas e dos acordos que podem vir a ser feitos, mas uma coisa é certa: além do clima de déjà vu, o fim deste mandato e de todo o conto de fadas vendido ao preço de um futuro incerto e de um presente caótico está por um triz e, caso siga a velocidade com que ocorreu a derrocada de Collor, o Brasil pode ter um réveillon com a esperança de um 2016 um pouco melhor. É o mínimo!

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