Gabriel Ferrari

A falta que a mulher faz

Estive pensando e descobri que todo o desajuste humano é por conta da mulher, esse ser magnífico que figura no meu top 5 de coisas maravilhosas da vida. A culpa é das mulheres, ou melhor, da falta que elas estão fazendo.

O rumo das nossas civilizações foi assumido pelos homens que ignoraram a insubstituível utilidade da mulher. O mundo desenvolveu-se como um relógio que sofre para trabalhar, e está sempre desajustado em virtude da falta de uma peça.

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Por favor mulheres, voltem…

Para explicar esse espaço vazio onde só o corpo e mente de uma mulher poderiam ter ocupado, vou mostrar o percurso da vida do homem neste mundo, e onde começou o desequilíbrio que vivemos hoje.

Na época das cavernas homens e mulheres tinha tarefas diferentes em virtude de suas naturais habilidades únicas. Homens tinham uma visão focada e privilegiada para longas distâncias. Sua conexão rápida com o cérebro permitia cálculos de distâncias e velocidades instintivamente. Por isso eram os caçadores do grupo.

Mulheres não eram assim. Tinha uma visão periférica aguçada, captando movimentos a sua volta. Seus sentidos eram mais fortes. A audição e sensação na pele eram muito mais sensíveis. Desenvolveram algo inexplicado até hoje, algum tipo de intuição. Isso colocava-as como guardiãs do lar. Por isso homens são melhores no trânsito e mulheres acordam facilmente ao menor barulho de seus bebês. Essas habilidades milenares nos diferenciam mas nos completam.

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Os Flintstones – Ainda existia equilíbrio nas cavernas

O complemento na quantidade certa das características masculinas e femininas permitiu a nossa raça atravessar milhares de anos, até a idade média, onde começou uma dicotomia sem sentido. O pensamento agora abstrato permitiu o desenvolvimento da ciência. Esse desenvolvimento começou com um ímpeto masculino. Tudo estaria em perfeito equilíbrio se em outros aspectos as mulheres progredissem. Contudo isso não aconteceu. Os períodos de guerras supervalorizam os homens em seus atributos físicos, promovendo uma injusta desvalorização da mulher. E neste sentido, algo que dependia muito da intuição feminina ficou sob influência dos homens: a religião.

Algo que dependia muito do espírito feminino desenvolveu-se na frieza e escuridão dos homens. Fora do alcance da luz da mulher a religião tornou-se uma instituição política. Com um ambiente ocupado (irregularmente, em um ponto de vista natural) por homens, a influência feminina não foi apenas ignorada mas “queimada”. A ciência das mulheres que completaria o espírito do  homem em um ser perfeito, foi denominada bruxaria e queimada, perdida para sempre. Para uma instituição política o controle era necessário, mas deixou claro que o toque da mulher faria falta para o crescimento das faculdades do espírito.

Kuan Yin - Deusa Oriental do Amor e Misericórdia, reguladora da vida

Kuan Yin – Deusa Oriental do Amor e Misericórdia, reguladora da vida

“Com o absolutismo do homem, sumiram as  deusas, e ficaram somente os deuses.”

A mulheres são postas de joelhos, enquanto o futuro segue as pressas com os homens. Nascem hábitos e culturas denominadas machistas. Um suicídio que mata o lado feminino em nós. O equilíbrio começa a ser perdido. O foco do homem predomina em tudo. Força, ação e objetividade ditam o futuro. Amplitude, mente e sensação são valores sem importância. “Extrair da natureza sobre tortura todos os seus meios” é uma das premissas da ciência. A natureza é tratada como um algo externo e hostil e não como parte de nosso sistema de vida.

O prazer masculino é encontrado dentro de uma mulher, o que dá uma pista clara que a solução das coisas é  encontrada dentro de nós. Mas nosso objetivismo e perversidade trata o que é externo como razão dos problemas. Tudo do lado de fora deixa de ser sensação a ser vivida e passa a ser destruição à ser cometida.

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A mulher é o caminho de comunhão com a natureza

A tecnologia é a filha desse passado, forte e voraz, mas frágil e desajustada, como um corpo bonito por fora e doente por dentro. Uma ciência que desenvolveu-se à partir de conceitos como “a terra é o centro do universo” claramente demonstra a falta de um ponto de vista. A objetividade, o calor e determinismo masculino estão em todos os lugares. O   que mais temos são máquinas que não satisfazem e remédios que não curam. Só o tratamento sutil feminino com  com terapias que tratam a alma, purificam nossa carne doente.

A evolução humana passou de geométrica para exponencial, e enquanto o perfume feminino dobrava o odor masculino quintuplicava. O que mais se vê nos dias de hoje é dicotomia, divisão. Mas é da mulher que vem a união, a multiplicação do ser, tão óbvia através da gravidez.

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Há algo claramente faltando no curso dessa humanidade onde dois terços passam fome para para que outra parte morra por comer em demasia. O homem conduziu sua espécie para uma “coisificação”, onde se tornou peça descartável de uma máquina de domínio de poucos. Poucos que não se importam com sua espécie pois já não são humanos. Cresceram sem a parte que gera a comunhão, a conexão com os demais.

O exercício do masculino deve continuar. Mas o desequilíbrio deve encontrar um fim.  A falta da natureza feminina na vida humana atingiu patamares insuportáveis. A culpa não é delas. A evolução unilateral  criou distância entre nós. Não se trata de uma mudança de liderança e crescimento das mulheres em posições dos homens. Isso diminuiria o espírito feminino através delas mesmas. É preciso ação feminina única, jamais vista por nenhuma civilização. Isso implica agir para mudar o nosso pensamento que pode até ser correto, mas de maneira alguma é natural.

 

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“O ser humano precisa mais de apreciação do que de pão.”

O domínio masculino não deve ser combatido. Combater é um modo masculino de acabar com as coisas como a violência do fogo. A ação da mulher deve fazer florescer nos muros desse império masculino uma nova morada. Deve ser como da água da chuva. Que não exige que a flor cresça, mas que está lá para nutrir e permitir que floresça. Penso que essa é a verdadeira natureza feminina.

Por favor venham a nós, mas não para dominar. Não venham para aumentar a tensão e sim para criar relaxamento. Que a humanidade  evolua com a potência masculina, mas com a equânime sensatez feminina. Que cresça com causas determinadas dos homens mas consequências pensadas por mulheres. Que exista agora múltiplos pontos de vista em vez de uma só verdade para cada coisa. Para que os homens descansem  no colo das  mulheres, enquanto elas pintam de colorido o mundo desenhado por nós em tons de cinza.O mundo aguarda ansioso os doces dias de sutileza feminina.

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2 Comentários

  • rodrigo
    14 de janeiro de 2015 - 23:26 | Permalink

    ótimo artigo parabéns Gabriel

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