Vivian Guilherme

Falta originalidade

Tem horas até que parece que sou muito implicante pelo tanto de vezes que escrevo sobre a falta de originalidade na cultura e, principalmente, na música. Mas o que fazer se é verdade? É impressionante o número de artistas que estão divulgando DVDs com os ‘melhores sucessos’ de sua carreira. E ainda, quando são sucessos de sua carreira ‘vá lá’, é aceitável. Mas ainda existe o grande volume de músicos que gravam CDs e DVDs com ‘os melhores sucessos de todos os tempos’. A desculpa: é com novo arranjo, é uma nova versão, é uma forma de recuperar grandes sucessos.

E, ainda, se as músicas realmente tivessem algum significado muito essencial para o artista, esse ‘regravar’ se justificaria. Na última semana, assistindo a uma entrevista da dupla Bruno & Marrone, eles divulgavam um novo DVD com, claro, regravações de ‘sucesso’ não só no mundo sertanejo. Na hora de tocar uma das faixas do disco, uma canção d’As Marcianas, eles foram questionados pelo entrevistador, e não souberam responder se as cantoras estavam vivas (?!). E para essa pergunta até eu e todo mundo que frequenta a Manhã Sertaneja do Grêmio sabe a resposta… E o mais triste é dar uma pesquisada na internet e ver a canção ser divulgada como ‘a nova música de Bruno & Marrone’. E que de nova, não tem nada!

E se é pra falar em falta de originalidade, sejamos ecléticos. Nessa semana Shakira foi condenada por plágio, após copiar – descaradamente – uma canção dominicana de 1996. Não seria tão ruim se ela não tivesse alegado que tinha, na verdade, sampleado outra canção dominicana do rapper El Cata (Edward Edwil Bello Pou). Resumo da ópera, ou, resumo da canção Loca: o dominicano Ramón Arias Vásquez escreveu uma música, que foi plagiada por El Cata e depois sampleada por Shakira. Quanta falta de criatividade, gente!

A falta de criatividade chega até mesmo às campanhas eleitorais. Quem já teve oportunidade de ouvir os primeiros jingles pela cidade pode perceber que tudo não passa de paródias. Músicas famosas com o número do candidato ‘encaixado’ no meio da música. Será que não existem bons compositores em Rio Claro?

Ouvindo assim até parece que não existe compositor no mundo. Só um nicho que produz e outros que reproduzem. E não que isso seja novidade, os anos 80 e Michael Sullivan que o digam! Ainda que a parada fosse dominada por Sullivan eram músicas novas, escritas e feitas para cada artista. E, hoje em dia, é uma festa de recuperar música do passado e tentar fazer sucesso! É um tanto repetir fórmula que deu certo lá atrás. Até parece, às vezes, falta de ousadia, optar pelo sucesso certo do que tentar algo diferente.

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