Vivian Guilherme

Ecad, marchinhas, Frejat e mais

– ECAD
Nessa semana, o Ecad divulgou lista de arrecadação referente ao Carnaval 2014. Surpreendente foi ver que o grande recebedor foi José Roberto Kelly. Os mais novos vão estranhar o nome, mas, certamente, reconhecem as canções do autor: “Mamãe eu quero”, “Me dá um dinheiro aí” e “Cabeleira do Zezé”. Verificar que três marchinhas de Carnaval são as músicas mais executadas no Carnaval dão um certo alívio, principalmente por perceber que o público realmente aprecia o Carnaval de rua, a festa com a família e as músicas tradicionais.

– MARCHINHAS
“A jardineira”, “O teu cabelo não nega”, “Maria Sapatão” e “Allah-la-o” também estão entre as dez maiores arrecadadoras. Nessa lista de principais, apenas duas novatas, “Lepo lepo” e “Show das Poderosas” ocupam espaço entre as já conhecidas marchinhas. Já entre os titulares com maior rendimento em shows figuraram os conhecidos nomes de artistas de axé, como Carlinhos Brown, Durval Lelys (Asa de Águia), Filipe Escandurras (Lepo Lepo), Magno Santanna (Lepo Lepo) e Bell Marques (Chiclete com Banana). O que mostra que os shows, ao vivo, no Carnaval ainda são prioritariamente voltados à música baiana e trios elétricos. O que reafirma que Carnaval no Brasil pode ser definido entre marchinhas e axé. Na lista, nem sinal dos sambas-enredo das escolas de samba, aliás, nem sinal de escola de samba nenhuma.
– ARRECADAÇÃO
No total, segundo o Ecad, o órgão distribuiu, no mês de maio, R$ 14.288.429,22 para 16.327 titulares de direitos autorais e conexos das músicas executadas em bailes, clubes, coretos, casas de diversão, blocos e shows de carnaval. Agora, acreditar na fidelidade das informações é outra coisa. Não que este não seja o valor distribuído, não que estes titulares não tenham recebido etc. A questão é que sempre tive um pé atrás com a distribuição dos direitos autorais pelo Ecad. Não só eu, mas muitos outros músicos. Em um belo discurso apresentado em audiência pública no STF (Supremo Tribunal Federal), Frejat teceu dezenas de comentários pertinentes sobre a idoneidade do órgão, sobre distribuição das verbas arrecadadas com direitos e também sobre a organização do Ecad que, segundo ele, “nunca me convidou para uma eleição de diretoria. Quem vota nessas eleições? Quem escolhe a diretoria?”, observa o músico que está na lista dos maiores arrecadadores do Brasil. Segundo Frejat, a questão principal é saber claramente como funciona a distribuição, já que as atas das reuniões não são disponibilizadas ao público há algum tempo. Músicos independentes sabem muito bem do que Frejat está falando. Em primeiro lugar, porque registrar uma música no Brasil requer um esforço hercúleo e a maior parte dos novos artistas desiste. Tocam por aí, os contratantes pagam o Ecad e para quem vai esse dinheiro?

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