Vivian Guilherme

E, afinal, o que é cultura?

Nessa semana me deparei com a postagem de diversos amigos inconformados com a Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia. O motivo é que a secretaria teria negado a inclusão do projeto do Festival Goiânia Noise na Lei Municipal de Incentivo à Cultura, pois segundo o parecer “o evento não tem relevância cultural”.

Com vinte anos de existência e realização ininterrupta, o evento é um dos expoentes no Brasil. Lembro de quando ganhei o livro que conta a história do festival e o quanto fiquei encantada com todo o processo de produção. O evento revelou uma centena de artistas para todo o Brasil e mudou bastante a imagem de Goiânia, antes conhecida como a terra do sertanejo.

Com o festival, muitas e muitas bandas de rock foram formadas e tantos outros jovens se espelharam. Não somente lá em Goiás, como aqui no interior de São Paulo também. Vale lembrar as turnês de artistas goianos aqui pra Rio Claro e região, sem contar a legião de fãs de bandas de lá.

O que aconteceu, na verdade, não me surpreende. Afinal, secretarias de Cultura são apenas um reflexo do tal Ministério da Cultura. E, olha só, foi justo nesta semana que fiquei chocada com um posicionamento do MinC nas redes sociais, em que chamava alguns brasileiros de ‘reaças’ e mais parecia uma criança de 12 anos brigando por causa de videogame com os coleguinhas de classe.

Gostei do comentário de um amigo meu, o jornalista Diego Maia, que sabiamente afirmou: “Com essa resposta ridícula, imatura e digna de pirralho treteiro da internet vinda do MINISTÉRIO DA CULTURA podemos concluir definitivamente que: 1) Somos governados por moleques do DCE; 2) Muita gente entendeu mal o que a Prefs de Curitiba fez”.

Pois é. Parece que a cultura hoje é gerida por muitos moleques do DCE (aqueles diretórios acadêmicos de universidade) que ouvem muita MPB, acham o funk uma grande representação da cultura de periferia, consideram qualquer tipo de arte clássica um pecado e o rock uma “imperialização” norte-americana.

E quando não são os moleques do DCE, que decidem quem recebe ou não dinheiro do governo, são os grandes produtores da indústria musical que decidem quem aparece ou não mídia. E eles… ah eles estão tão ricos com o sertanejo universitário que não dá pra arriscar investir em outra coisa, né?

Mas, apesar dos pesares, o Goiânia Noise vai acontecer de qualquer forma. Com ou sem verba pública, o festival segue mostrando que há público para o segmento e há pessoas realmente interessadas em cultura.

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