Vivian Guilherme

Desafios da música nos anos 2010

Não é por menos que os músicos no Brasil, em sua maior parte, ou desistem da carreira ou encontram outro ofício. Mas, no geral, tentam conciliar uma ‘carreira’ que dê dinheiro, com a vida musical, o que acaba desgastando o profissional que, por razões óbvias, opta pelo ofício remunerado.
Com isso a quantidade de pessoas que consegue viver e sobreviver com a música vai diminuindo. Em partes, por uma política ‘arraigada’ na mente de muitos produtores, donos de bares, casas de shows e etc, que criaram a máxima do ‘tocar para divulgar o trabalho’. Não que seja pecado tocar por simples prazer, ou tocar só para sair de casa. Mas o tocar de graça, sem dúvidas, estraga o mercado.
Por que pagar para determinado músico se posso ter isso de graça? Neste ponto, o investimento feito pelo artista acaba esquecido (horas de ensaio, aulas de música, instrumentos, equipamentos etc). E digo isso somente sobre os músicos que não recebem e aqueles, ainda, que tem que pagar para tocar?
Um amigo tenta me convencer que valeu a pena gastar R$3 mil para tocar em um evento na capital, ‘porque ajudou a divulgar a banda’. E, se ajudou ou não, não entro no mérito. Mas, no todo, isso vale a pena? Afinal, as pessoas que vão em um show desse tipo hoje em dia, vão chegar em casa e procurar o trabalho dos músicos, vão se tornar fãs e comprar um disco?
A lógica do mercado da música é bem outra nos dias atuais. E arrisco dizer que, decadente, o mercado não produz mais nada. Somente embala com novas cores o que já foi feito antes. E não que isso nunca tenha sido feito, Roberto Carlos que o diga. Mas, tentar convencer os jovens a  ouvir a mesma música, sem novas referências é o mesmo que dar a eles um disco de funk e dizer que aquilo é bom. Até porque, o que surgiu de diferente na música brasileira nos últimos 10 anos sem ser o funk?
Saudades do início dos anos 2000, quando tantos músicos descobriram o poder da internet e utilizavam os meios para divulgar o seu trabalho. Foi nesse período aí que vieram à tona as bandas de rock underground, as novas cantoras de MPB, os grupos de música ‘indie’ e outros exemplos mais. A MTV, afoita, tentava acompanhar o ritmo acelerado dos lançamentos e quase não conseguia. Sites como Bandas de Garagem, Trama Virtual, que disponibilizavam músicas de bandas novas gratuitamente tinham visitação recorde.
Alguns artistas, se tornaram os ídolos da web, com tantos shows, milhares de downloads e fãs, sem nunca terem aparecido na televisão. Cito exemplo de Dance of Days, Violins, bandas que sempre tiveram shows lotados, apesar de nunca terem tocado em rádio ou participado do programa do Faustão. Foi uma época em que era possível fazer sucesso sem precisar pagar, sem precisar de jabá, mas com muita criatividade. Infelizmente, essa não é mais a realidade atual. Alguém sabe me dizer por quê?
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