Carine Corrêa

Cumplicidade botânica

Feriado. Dia de reunir toda a tribo. Enquanto aguardávamos pela irmandade no sítio, de repente, não mais que de repente notamos um comportamento botânico curioso: uma espécie de cacto, plantada em um vasinho disposto na raiz de uma árvore, cresceu até o ponto de alcançar uma determinada altura em uma das ‘bifurcações’ do exemplar arbóreo. Logo nos arriscamos como cientistas. “A plantinha deve estar se alimentando da seiva da árvore”, disse ele sempre seguro em suas teorias científicas. “Nossa, olha isso! Se eu romper o cacto nesse ponto, vou romper todo um evento botânico que deve ter acontecido com muito esforço do pobre cactinho”, digo. Não é que damos um 180°, e notamos que uma outra espécie estava lá, todinha se aproveitando da árvore. A folha se misturava com o tronco seco, que derramava seiva viscosa em alguns pontos. A espécie devia ser parente da samambaia, tia, cunhada, ou prima de 2º grau, ou melhor, acho que prima da tia da irmã da Samambaia, que por sua vez é prima distante do avô do primo de 3º grau do cacto. Que seja.

Dou um Google e descubro um novo termo técnico na botânica, o Epifitismo: “modo de vida das plantas epífitas, que são as que vivem sobre outras plantas, sem retirar nutrientes delas, mas apenas se apoiando nelas (se retirassem nutrientes delas, não seriam epífitas, mas parasitas ou comensais)”. Que cumplicidade botânica! Depois de observar esse comportamento das plantinhas, esticamos os corpos na cadeira para nos nutrirmos de vitamina D vinda diretamente do Sol. À noite, em volta da fogueira, ele se entrelaça no meu ombro. Lembro das plantinhas da árvore e do apoio mútuo que garante a vida para todas as espécies. A vida em diferentes espécies se mostra na cumplicidade.

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