Vivian Guilherme

A cultura da meritocracia

A cultura no Brasil, assim como na maior parte dos segmentos brasileiros, exige uma máxima: conhecer pessoas, mas não qualquer pessoa, as pessoas certas. Com tanta gente talentosa no Brasil, o que diferencia este daquele? Entre dois profissionais, com características e habilidades semelhantes, o que faz este e não o outro ser escolhido? O ponto de decisão é sempre: ‘este eu já conheço’, ‘aquele é filho do primo do tio do meu vizinho, que disse que ele é de confiança’. E isso serve para a conquista de uma vaga de emprego, a escolha para uma premiação/seleção e também para decidir quem merece ou não o sucesso.

Por que contratar sempre aquele mesmo músico para tocar naquela casa de shows se existem outros com tanto talento? Por que este toca tanto na rádio, se aquele outro cantor tem músicas muito melhores? Por que nunca trazem show desse artista para a cidade? Por que este ganhou a premiação e aquele não?

Não. Não foi uma decisão do público. Tudo isso foi a decisão de uma cúpula que selecionou este ou aquele para estar em destaque. E, como qualquer premissa básica, quem está em destaque continua e se mantém em destaque.

Essa semana, enquanto ouvia uma coletânea antiga no carro, começou a tocar ‘A gente é feito pra acabar’, música do cantor Marcelo Jeneci. E meu marido, sabiamente, comentou: “Dá pra acreditar que já faz três anos que esse disco foi lançado? E não estourou”. Não que não tenha tocado, mas de poucas cinco pessoas que estejam lendo esta coluna agora, garanto que apenas uma conheça Jeneci. Certamente, ele não conheceu as pessoas ‘certas’ para entrar no mainstream.

E não vai muito longe. Quem explica a Valeska Popozuda com esse sucesso todo? MC Guimé, MC Gui e tantos outros MCs, ou tantas duplas que invertem um nome aqui e outro ali? Por que a banda Malta e não a Reação em Cadeia? Por que Maria Gadú e não Mariana Volker? Por que Lucas Lucco e não Marcelo Jeneci?

Na literatura, Hank Rearden se negou a conceder uma vaga a seu irmão em sua empresa, quando sua mãe o intimou a ‘ajudar o irmão’. Decidido, Rearden afirmou que não empregaria alguém só porque o conhece, mas sim por sua capacidade. Esta situação é recorrente no enredo de ‘A Revolta de Atlas’, livro de Ayn Rand, publicado em 1957. Se você, assim como eu, acha injusto demais ver pessoas batalhando, se dedicando e estudando e serem ‘passadas para trás’ por outras que não fizeram absolutamente nada, além de conhecer as pessoas certas, você deveria se dar de presente de Natal este livro, que na verdade é um box com três volumes. Simplesmente, a dica que deixo a vocês neste fim de ano.

Outros posts deste autor
Plantão Policial: tragédia em Assistência, roubo de veículo, ato infracional
Plantão Policial: roubo de malote, flagrante embriaguez, furto no Lago Azul
Plantão Policial: flagrante de tráfico de drogas, furto, roubo
Mais Amado Batista e menos Anitta
A verdadeira rainha do rock

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

JCblogs Produzido por Gabriel Ferrari Mariano