Antonio Archangelo

Corruptos: Eu, Tu e Nós

Encontrei uma senhora reclamando da corrupção.

Vivia ela, de verbas públicas destinadas para uma entidade social que deveria desempenhar um serviço social na periferia.

Seu neto, misteriosamente, apareceu na lista de aprovados em um concurso público e hoje trabalha em algum setor do legislativo.

Seu marido, com toda sua influência solidificada no seio de uma entidade religiosa definia onde as doações deveriam aportar, e por diversas vezes, favoreceu alguns amigos que necessitavam de ajuda, ignorando uma extensa fila.

Sua filha, jornalista, trocava notas de elogio em sua coluna para angariar descontos no comércio .

Toquei sua face com a palma de minha mão. E perguntei: Ora, o espírito do homem ama a pureza, mas sua mente o perturba. A mente do homem ama a tranqüilidade, mas seus desejos a afastam. Se ele pudesse evitar sempre os seus desejos, sua mente tornar-se-ia tranqüila. Que sua mente fique pura, e seu espírito torna-se-á puro…”.

Ora, não existe motivo para se justificar a corrupção, como também não existe motivo para ignorar que nós mesmos alimentamos as práticas que tanto condenamos. A polaridade que prende suavemente o status quo da humanidade na atual era.

Estamos na busca, na contemporaneidade, da evolução moral.

Assim como um dominó que desencadeia toda uma fileira de peças caídas com um simples desequilíbrio, assim deveria ser encarado o “modus operandis” pra que a corrupção fosse definitivamente, quem sabe, extirpada do nosso dia-a-dia.

Erramos ao solidificar esta amalgama de “senso comum”, ao colar no couro dos poucos que entram neste setor para fazer, realmente, um trabalho de Bem a pecha de malfeitor.  Na Alemanha nazista, nem todos os alemães aceitavam a condição imposta; nas fogueiras da época feudal, nem todas as mulheres queimadas praticavam algum tipo de feitiçaria; não existe porque afirmar que todo político é corrupto. Pois, não são…

Este mantra corroi a esperança e escalpela os bons que são tratados, na priori, como maus.

E recordar que cometemos os mesmos os erros deste ciclo vicioso que crucifica o bom, ao tapar da visão, a luz que identifica um dos outros.

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