David Chagas

Cidade Azul e amada

Junho vai ao fim. O tempo, impiedoso, caminha apressado. A cidade fez anos. Festejou seu centésimo octogésimo oitavo ano de vida desde o instante em que foi sesmaria do Morro Azul. O Morro Azul continua, dando sentido a seu cognome de Cidade Azul, por ele, pelo céu azul até demais, pelo sentido de paz que a cidade sempre quis ter, mas vai, agora, perdendo em razão da insegurança que toma conta de todos os bairros obrigando as gentes a se trancafiarem em suas casas se esquecendo de que o bom da vida é estar entre todos, caminhando, passeando, descobrindo. Voltará este tempo?

Ontem ainda, quando festejávamos São João, o que anunciou o Messias, o Papa Francisco, em Roma, anunciou não ser o casamento uma instituição definitiva. Lúcido, iluminado pelo Espírito de Deus, o Papa proclama que é melhor separar-se que atormentar a família, desestruturar o ambiente familiar, perturbar a paz doméstica, maltratar os filhos, desrespeitar a esposa.Claro está que deve haver conservadores assustados com a clareza de ideias de Sua Santidade. Encantou-me ouvir a criança proclamar, terminada a fala de Sua Santidade, que o Papa é azul, dando o real sentido da palavra e da cor. O Papa é azul porque se confunde com a grandeza do céu, no que diz. O Papa é azul porque concede ao homem o direito de ser e estar em paz como deveria ser. O Papa é azul porque deseja ardentemente encontrar um caminho que possa conduzir a humanidade à paz. Por tudo isso, o Papa é azul.

Deste azul que reveste o Papa desejo à cidade, ao se recompor, vestir-se. Como? Com quem possa fazer dela uma cidade acertada nos seus objetivos de bem estar, de convivência civilizada, de respeito mútuo, de educação e cultura que permitam saber sempre, na hora do voto, a quem entregar o seu destino.

Juntei o Papa à cidade porque vejo tanta discussão em torno do Plano Municipal de Educação e do que deve nele conter que me assusto. Claro está que deve ter o abono dos senhores parlamentares, mas palpitar no que não lhes diz respeito como se disso entendessem é desserviço à cidade. Deixem isso para educadores. Se no comando da Educação da cidade estão especialistas em quem confiaram, se jamais colocaram dúvidas em relação a esta liderança, por que, agora, tanta polêmica sobre o que deve conter o plano no que diz respeito a determinados temas. Para imitar os pastores deputados que cometem igual barbaridade? Bom seria se chamassem especialistas no assunto para deles ouvir a opinião e, aí sim, a partir disso, traçar comentários pertinentes a respeito daquilo que pouco ou nada entendem e não será a religião deste ou daquele parlamentar que, por seus princípios, não deseja abordar este ou aquele tema.

Tomara o azul tome conta do ambiente. O azul que cobre a cidade. O azul que acoberta a mente brilhante e aberta do Papa. O azul que responde pela esperança de paz que todos almejamos.

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