Favari Filho

Bar é muito mais que cultura!

Uma crônica para recordar, publicada em setembro no Jornal Cidade, quando Dilma ainda não tinha vencido (?) as eleições e dado início ao plano de governo de Aécio. E também para revelar o segredo da localidade do bar do Toninho. Boa leitura!

***

Algumas pessoas têm perguntado onde fica o bar do Toninho. Como posso dizer onde é o agora famosíssimo boteco sem antes falar sobre as pessoas que o frequentam. Pessoas de verdade que estão na luta diária contra as agruras cometidas por nossos políticos. Pessoas que vivem em um Brasil muito além do apresentado nas propagandas eleitorais. Essa rapaziada que levo fé, pois gosta de conversar, de se entreter com piadas picantes – não é mesmo Seu Menininho? – de tomar cerveja e comer carne assada e que, como disse o poeta, “segue em frente e segura o rojão”.

No domingo, veja só, cheguei por volta das onze para tomar minha ampola dominical e o assunto que já corria as mesas e estava na boca de todo mundo era a reportagem de Veja acerca do ex-presidente da Petrobras que, segundo a revista, teria acordado a delação premiada e já teria entregado três governadores, seis senadores e 25 deputados que supostamente estariam envolvidos no esquema. O pessoal já começou ali mesmo a procurar os nomes e a relacionar aos partidos que pertencem para fazer um balanço para as eleições. Galera moderninha, fazendo updates até pelo celular.

Mas o assunto mais recorrente no bar é que, infelizmente, em época de eleições tem se tornado comum o ataque pessoal entre grupos opositores. Não o ataque sadio e comum ao plano de governo – quando há um plano – contrapondo propostas e ideias, mostrando caminhos palpáveis e melhorias significativas para o cidadão. O pessoal chegou ao consenso de que o ataque pessoal desqualifica o próprio político ou grupo que o pratica, pois nesse caso ficamos sem possibilidades reais de escolher alguém que possa agir em prol do Brasil.

O Toninho chegou até a comentar exaurido que, no Brasil, a corrupção parece ser a regra e não a exceção como seria o correto e que isso se deve aos interesses escusos dessa gente que faz da política profissão. O que a gente sempre vê é que candidato A diz que candidato B não vai fazer um bom governo porque não tem competência para conseguir apoio. Candidato B diz que candidato C representa a velha política e candidato C diz que candidatos A e B são partes da mesma aventura. Isso sem contar os candidatos D, E, F, G, H, I, J e L, que falam, falam e não conseguimos saber o que realmente querem dizer.

Bom, mas voltando ao que interessa o que posso dizer sobre o bar do Toninho é que o estabelecimento está localizado nas periferias das grandes cidades, nas ruas estreitas dos bairros das pequenas cidades, no centro das grandes metrópoles, enfim, nos locais onde mora a insatisfação. Lembro que quando adolescente tinha uma frase que era colocada em carros ou nos próprios bares que dizia: “Frequente Bar. Bar é cultura.” Asseguro que os bares são muito mais que cultura. O bar do Toninho que frequento, por exemplo, é cultura, é saúde, é educação, é transporte, entre outras coisas que fazem muita falta ao cidadão comum. Coisas que poderiam fazer parte do discurso dos candidatos não somente na dulcíssima retórica, mas sim em ações palatáveis e possíveis. Infelizmente, a realidade tem se mostrado outra e, por isso, ficamos todos assistindo a ataques pessoais que em nada, eu disse absolutamente nada, contribuem para o bem comum.

Outros posts deste autor
Ainda o samba
Ulysses
Cantiga de ninar
Um só…
Uma década de Rolling Stone

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

JCblogs Produzido por Gabriel Ferrari Mariano