Ivo Rosalem

Bagunçou

Para quem acha que a famosa “dança dos técnicos” é um fenômeno restrito somente à cultura do futebol no Brasil, aqui em Rio Claro acontece também no basquete. A era Chuí no Rio Claro/Basquete durou pouco (apenas um turno do NBB-7).

Se a exemplo do futebol, analisarmos sob o ponto de vista de resultados, a campanha justifica a demissão do francano. Em 15 jogos, foram 12 derrotas e apenas 3 vitórias com ele no comando.

É preciso ser mais abrangente. Muita coisa aconteceu nos bastidores da equipe até que se chegasse ao ponto de demitir o treinador.

O excesso de ego e vaidade recíproco (técnico/ alguns atletas/ staff) superou aquilo que deveria ser a causa maior, ou seja, o sucesso coletivo da equipe. O elenco não aceitou Chuí e, ao que tudo indica, rendeu muito menos do que poderia por essa razão. Chuí, por seu turno, também norteava suas ações baseado em problemas de relacionamento que tinha com jogadores, em prejuízo da equipe. Lastimável.

Com dinheiro em falta e vaidade sobrando, a esperada profissionalização, tão necessária para o novo patamar a que chegamos no basquete, ruiu.

Avalio que tudo chegou a esse ponto também por falta de comando. O mal se corta pela raiz. Muito cacique dá nisso.  A diretoria, que se tornou mais ampla, é segmentada. Aparentemente, quem manda no time são os jogadores e eles escolheram com que técnico queriam e não queriam trabalhar, sem medir consequências.

Agora volta Marcelo Tamião. Ele não quis dirigir a equipe no NBB e, segundo informações, fez a indicação de Chuí para substituí-lo antes de começar o Nacional. Tamião retorna em nome de uma suposta colaboração com a causa, já que não há recursos para se contratar um outro profissional, tão pouco opções no mercado. Não estou preocupado com o retorno dele. Tenho certeza que a situação não vai piorar. O time irá jogar mais, independente do que for feito ou não for feito pelo novo/velho treinador nos treinos e jogos. Afinal, como informou o próprio ex-coordenador, foram os jogadores quem se reuniram e pediram para que ele reassumisse o comando. Trata-se de uma atitude que superaquece a tese da “fritura”, não?

Bom, Chuí é frito e é passado. Aprontou das dele, segundo dizem, e pelo contexto sai com fama de vítima e também de vilão. Zero a zero para eles. Quem perdeu foi Rio Claro, infelizmente.

Agora é desejar sucesso ao Marcelo Tamião. Trata-se de um rio-clarense que merece todo o nosso respeito e sempre nos respeitou. Cabe registrar, entretanto, que não há coerência alguma entre o discurso criado para justificar a criação da função de coordenador no Rio Claro/Basquete, para que ele continuasse no contexto em outra situação com a chegada de um novo treinador, com o que está acontecendo agora.

Apesar dos pesares, vamos seguir todos juntos, torcendo por vitórias, pela manutenção da nossa vaga no NBB e por um futuro mais condizente com nossos anseios e necessidades. Rio Claro é maior que tudo isso. O futuro sempre é revelador. Guardem bem isso. Novas temporadas virão, novos discursos também.

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