Favari Filho

Ano Novo

E o ano de 2016 finalmente vai começar! A Quarta-Feira de Cinzas marca o início da Quaresma, período do ano litúrgico que antecede a Páscoa Cristã. Ano litúrgico, por sua vez, é o período de doze meses, divididos em tempos litúrgicos, em que são celebrados como memoriais os mistérios de Cristo. Isto posto, cogito aqui com meus botões que o Brasil é, definitivamente, um País cristão, pois [bem ou mal] o ano – principalmente para a classe-política-descomprometida-com-o-dever – começa somente depois do Carnaval.

Aqui na Cidade Azul a Festa Pagã tem sido, como sempre, um grande espetáculo; uma tradição que acumula dedicação tanto da direção, quanto dos integrantes das escolas de samba e demais blocos carnavalescos, que trabalham para que tudo seja apresentado da melhor maneira possível e agrade àquela parcela da sociedade que vai até o sambódromo conferir as alegorias e os adereços. Hoje à noite, aliás, tem o desfile das campeãs com a Grasifs – Voz do Morro comemorando os sessenta anos com um título há muito esperado e também imensamente merecido [parabéns a todos!].

Já disse aqui neste espaço que não tenho nenhuma afeição à Festa do Momo, mas, devo confessar, tenho um profundo respeito e admiração por pessoas e/ou instituições que têm o poder de mobilização; e as escolas de samba acumulam muito disso, assim como as igrejas, as associações filantrópicas, os clubes de futebol. Fico profundamente tocado quando vejo a emoção no rosto daqueles que desfilam as suas fantasias na avenida transformada em Passarela do Samba, bem como no grito da torcida diante do gol, ou na satisfação benfazeja daqueles que ajudam o próximo e na lágrima de um acometido por um milagre. Como diria o Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

Mas o Carnaval acabou e dia de voltar à realidade de um Brasil jogado às traças pelas ‘autoridades’ que, caso levassem a cabo o significado das cinzas, estariam mais preocupadas com o que podem fazer em prol da população que, iludida por uma política baseada no consumo, adquiriu carro, mas agora não consegue comprar a gasolina; que financiou casa, mas agora não consegue pagar as prestações; que vai ao mercado e não suporta tantos impostos e taxas sobre taxas sobre taxas sobre taxas em um infinito moto-perpétuo.

Portanto, agora que chega ao fim o Carnaval, é preciso unir forças com a mesma paixão e intensidade que depositamos naquilo de que mais gostamos para construir um novo Brasil. Sim, pode ser que eu esteja sendo panfletário, mas alguém tem de ser panfletário neste País! A busca por um lugar melhor, em que as ações valham mais do que discursos vazios, tem de partir de todos; déspotas mandatários que visam apenas à perpetuação no poder precisam ser impichados de toda e qualquer esfera pública. Escrevo com paixão e com compaixão porque também sou brasileiro; o ano novo está aí!, vamos juntos tencionar para que, no Carnaval de 2017, haja mais e melhores motivos para comemorar. É hora de agir!

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