Fabíola Cunha

A analógica Jessica Lange

Jessica Lange esteve em São Paulo para divulgar seu trabalho como fotógrafa nesta semana.

“Quem?”

Jessica Lange, filhinhos.

Ok, vamos facilitar: dentre tantos nomes fortes (beijos para Kathy Bates e Sarah Paulson), é mais ou menos a protagonista de “American Horror Story”, série que chega a sua quinta temporada – a última da atriz foi a quarta.

Se situou?

Se situou?

Amada por gerações mais novas devido à série, a carreira da atriz de 65 anos começou em 1976, depois de um bem sucedido período “modelando”, como protagonista do fracassado “King Kong”, ao lado de Jeff Bridges. Com críticas ruins ao filme, ela manteve-se longe do cinema por três anos, mas retornou e logo firmou-se como uma atriz equivalente ao que hoje vemos em Amy Adams, Kate Winslet, Julianne Moore e Cate Blanchett: são glamourosas e “hollywoodianas”, mas conseguem soprar vida nos pulmões de qualquer personagem, em especial as mulheres que sofrem e fazer sofrer, que vagam instáveis e não acertam, ficando longe do perfil de princesa ou rainha do lar.

Em 1982 ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Tootsie” e pouco antes havia deixado crítica e público boquiabertos como a garçonete adúltera de “O Destino Bate à Sua Porta”, com Jack Nicholson.

Com Dustin Hoffman em "Tootsie". Lange é, obviamente, a bonita da foto.

Com Dustin Hoffman em “Tootsie”. Lange é, obviamente, a bonita da foto.

No teatro incorporou personagens clássicas como Blanche Dubois, na peça de tenessee Williams “Um Bonde Chamado Desejo”, que inspira suas atuações em AHS e foi o gancho usado pelo criador da série Ryan Murphy para convencê-la a atuar.

Lange fez uma bela análise de seu trabalho em “American Horror Story”, durante uma entrevista ao Portal UOL. Em São Paulo para divulgar seus trabalhos como fotógrafa, ela explicou como vê suas personagens na série:

“(…) As quatro personagens têm essa linha que as une. Que é uma vida de decepção. E elas estão todas naquele ponto em que nada que você imaginou, nada que você planejou aconteceu. E todas elas estão lidando com isso. A base dessas personagens é essa. E você joga todas essas fragilidades para o público. Na verdade, todas essas personagens têm isso em comum com outra grande personagem que interpretei no palco, que é Blanche Dubois [da peça “Um Bonde Chamado Desejo”, que no cinema foi interpretada por Vivien Leigh]. Nunca ter tido a segurança de ser quem você quis ser. E cada uma dessas quatro personagens têm isso em certo grau. Esse desespero. E essa terrível solidão”

Vencedora de dois Oscar, três Emmy e cinco Globos de Ouro, Lange foi casada por quase três décadas com o ator e dramaturgo Sam Shepard, com quem tem dois filhos. Juntos, atuaram em “Country”, um épico rural sobre uma família que luta para manter sua fazenda durante a crise econômica dos anos 80.

Em São Paulo ela proibiu fotógrafos durante a coletiva e disse odiar selfies, recusando tirar fotos com fãs. O que pode ser visto como excentricidade rabugenta também tem reflexo em seu trabalho como fotógrafa, feito com filmes em preto-branco, sem retoques digitais e revelados em papel. Para uma rainha da TV que nunca vê TV, faz todo o sentido.

Crédito: Jessica Lange/Divulgação

A exposição acontece no Museu da Imagem e do Som (MIS) (Crédito: Jessica Lange/Divulgação)

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