Roberta Moraes

AMARGURA

 

O poder negativo de sentimentos amargos é algo tão forte que alguns estudiosos sugerem a criação de um novo diagnóstico, chamado de PTED na sigla em inglês, e que em português significa transtorno pós-traumático de amargura.

O PTED descreve pessoas que não conseguem perdoar as ações realizadas contra elas. “A amargura é um solvente desagradável que corrói todas as coisas boas”, lembra Charles Raison, médico que trabalha na área de saúde mental.

Você sabe o que a amargura pode fazer para o seu corpo? Ela interfere nos sistemas hormonal e imunológico. Além disso, pessoas zangadas e de mal com a vida tem pressão arterial e frequência cardíaca mais altas. Pessoas nesse grupo são mais propensas a morrer por problemas cardíacos e outras doenças.

Fisiologicamente, quando temos sentimentos negativos por outra pessoa, o nosso corpo instintivamente se prepara para lutar contra ela, o que leva a alterações como aumento da pressão arterial. Sentir-se dessa forma por um curto período pode não ser perigoso para a saúde – pode ser até útil para combater um inimigo – mas o problema é quando a amargura é contínua.

Quando nossos corpos estão constantemente preparados para lutar contra alguém, o aumento da pressão arterial e de elementos químicos como a proteína C-reativa cria um problema para o coração e outras partes do corpo. Os efeitos cardíacos negativos causados por estados mentais estão se provando tão perigosos quanto os efeitos causados por tabagismo.

É impossível evitar todos os eventos que poderiam te transformar em uma pessoa amarga. Em algum momento, você poderá ser vítima de um chefe louco, um mal parceiro, um colega de trabalho rancoroso ou qualquer outra pessoa que lhe fará mal. Alguns tem ainda mais azar, sofrendo abusos físicos ou sexuais.

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Há situações em que você teria que ser o Dalai Lama para não sentir ressentimentos. Mas a chave para não se tornar uma pessoa amarga é como nós agimos com situações ruins a longo prazo. Aqui estão cinco dicas para abandonar a amargura o mais rápido possível – para o bem da sua própria saúde:

Desabafe: Dê um tempo para você mesmo e libere o que você sente. Desabafe e diga tudo o que você está pensando.

Acompanhe as notícias: Assista aos telejornais por um dia, ou leia um jornal. Converse com as pessoas próximas e com os colegas que você só costuma cumprimentar. Logo você vai perceber que todos têm problemas, e que essa é apenas uma parte da vida.

Considere conversar com a pessoa que está te machucando: Essa é uma opção que pode ser consoladora, ou muito ruim. Por isso, é importante pensar bem antes de ir conversar com a pessoa que está te fazendo mal. Alguns ex-cônjuges, por exemplo, podem ser psicopatas, e ir atrás deles pode ser desastroso. Em alguns casos, o melhor é escrever uma carta dizendo o que você sente e ler para um amigo de confiança antes de entregar.

Perceba que você está prejudicando a si mesmo: Sempre se lembre de todo o mal físico que você está provocando a si mesmo permanecendo com a amargura e ressentimentos. Perdoe agora, para não ser assombrado com dores de cabeça crônicas, fadiga, artrite e dores nas costas no futuro.

Considere o estado mental da outra pessoa: Muitas pessoas más não sabem o mal que estão provocando aos outros. Mesmo ferido ou machucado, lembre-se disso. E outras pessoas, além de cruéis, podem ser perigosas, e esquecer os males causados por elas pode ser a melhor saída.

Abandonar a amargura não significa que você precisa ser ingênuo ou que as pessoas vão pisar em cima de você.  Significa que ao invés de sentir raiva, seguirá em frente!

REFERÊNCIAS: 

Estudos de Charles Raison

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