Vivian Guilherme

50 tons de silverchair

A primeira vez que ouvi falar em silverchair eu odiei. Não que eu tivesse ouvido a música e não tivesse gostado, mas é que todas as semanas os rapazes ‘roubavam’ o primeiro lugar no Top 10 MTV e minha banda queridinha da época o Bush ficava com o segundo lugar. Aí, nem esperava começar a música e mudava de canal, xingando e reclamando. Em 1997, ‘Freak’ era uma das músicas mais executadas da MTV, junto de ‘Greedy Fly’, do Bush. Aliás, que a bizarrice dos dois videoclipes estava realmente par a par.

Mas eis que um dia dei o braço a torcer e resolvi ouvir o tal silverchair. E a história não parou nunca mais. A maior parte dos fãs de silverchair dos dois primeiros discos costuma dizer que a banda acabou em 1999, mas eu gosto de dizer que o silverchair é uma banda que cresce, junto comigo, e junto com sua experiência e maturidade musical. Em 1995, ainda com 16 anos de idade, os meninos australianos lançaram seu primeiro disco, ‘Frogstomp’, que foi sucesso de crítica, mídia e tirou os meninos da ilha levando-os diretamente ao topo da Billboard. A sombria canção ‘Tomorrow’ trazia um pouco dos adorados riffs do grunge de Seattle, somado a três adolescentes com cara de bebê chorão. Os rockeiros mais velhos zombavam, enquanto as meninas enlouqueciam.

Acredito que o que realmente levou à consagração, além claro da qualidade, foi a visão do ‘eu posso’: Se meninos de 16 anos podem fazer um som desse, eu também posso. E não demorou muito para venderem muitas e muitas cópias e fazerem muitos shows, inclusive no Brasil em 1996, no festival Close Up Planet. ‘Tomorrow’, ‘Israel’s son’ e ‘Pure Massacre’ foram os principais singles desse primeiro disco. Mas a minha favorita de adolescência é ‘Suicidal Dream’:

No segundo disco, ‘Freak Show’, o ‘chair ficou ainda mais conhecido no Brasil. Impulsionado pelo bom momento do rock em 1997 e, claro, pelo maior alcance da MTV. ‘Freak’, ‘Abuse me’ e ‘Cemetery’ foram as campeãs de pedidos na emissora. Seguindo a mesma linha do anterior, mas com musicalidade mais aprimorada os rapazes também conseguiram boa visibilidade, mas ainda não semelhante à do primeiro disco. De ‘Freak Show’ sou suspeitíssima para falar porque amo todas as canções, exceto ‘Petrol & Chlorine’, mas gosto de indicar ‘Cemetery’, uma das canções que gostaria de ter escrito.

Em 1999, a banda voltou com tudo, mais velhos, mais maduros e muito mais profissionais. Para compor ‘Neon Ballroom’ foram convidados músicos não convencionais para bandas de rock, pianista, violinista, harpista etc. O resultado foi uma miscelânea desesperada, intensa e verdadeira, como foram os momentos passados pelo vocalista Daniel Johns, ao enfrentar a anorexia. ‘Anthem for the year 2000’, ‘Miss you love’, ‘Ana’s Song’ e ‘Emotion Sickness’ foram os singles e clipes lançados. O primeiro clipe, de ‘Anthem’, ainda mostrava o lado mais pesado dos meninos, mas ao lançar ‘Ana’s Song’ foi um tal de marmanjo sair por aí dizendo que os caras não faziam mais rock. Pura besteira de quem não entende de amadurecimento musical. Até hoje, ‘Ana’s’ e ‘Miss you love’ são executadas em rádios e foram de longe os grandes sucessos do grupo. Apesar de letras mal interpretadas, o recado foi dado e o ‘chair deixou claro que era possível fazer rock, sendo pop e cult ao mesmo tempo. Dessa fase eu destaco essa aqui:

Em 2002, os rapazes lançaram ‘Diorama’. E, definitivamente, sumiram do mapa. A repercussão do disco ficou bem aquém do desejado. Entretanto, como disse Johns, o disco foi feito exatamente como a banda quis. A parte orquestral foi ampliada, sem deixar de lado os bons solos e letras, mas dessa vez com uma parceria de peso, com o compositor Van Dyke Parks, que já havia trabalhado com Beach Boys e Ringo Star. O resultado foi um disco bem elaborado, com canções ainda mais pop do que o anterior, os rockeiros não gostaram e as rádios não assimilaram bem a proposta. ‘Greatest view’, ‘Without you’, ‘After all these years’ foram as músicas de trabalho. Mas não considero nenhuma delas as melhores do disco, ‘Tuna in the brine’, ‘World upon your shoulders’, ‘My favourite thing’ são os achados desse disco que, confesso, torcia o nariz no começo. Minha opinião sobre Diorama mudou após assistir o show dos rapazes ao vivo em 2003, só assim para sentir realmente o que eles queriam passar com esse disco simplesmente sensacional. Em dúvida de qual indicar, afinal ‘My favourite thing’ tocou até no meu casamento, mas fico com esta:

E para quem pensava que o silverchair tinha acabado com Diorama, houve o lançamento de ‘Young Modern’, mas após a quebra de contrato com a gravadora internacional, este teve apenas lançamento em algumas partes do mundo e não chegou ao Brasil, infelizmente. ‘Straight lines’, ‘If you keep losing sleep’, ‘Reflections of a sound’ foram os singles. Apesar da crítica especializada ter ovacionado o disco, o mercado não consumiu bem a sonoridade diferenciada, que contou novamente com o compositor e maestro Van Dyke Parks. Johns chegou a afirmar que teria rompido com a gravadora exatamente para poder fazer um trabalho sem as pressões do mercado. Assumo em dizer que não é um dos meus discos favoritos da banda, mas gosto dessa:

Bom, depois desse disco, o silverchair informou seu fim. Daniel Johns desenvolveu alguns outros trabalhos paralelos, mas sem muito retorno, apostando bastante na música eletrônica e recentemente se juntou a um rapper. Experimentação é definitivamente o sobrenome do vocalista. Entretanto, o baterista Ben Gillies – à la Dave Grohl – deixou as baquetas e assumiu os vocais da banda ‘Bento’. O resultado eu gostei e vocês?

Bom, não foram os 50 tons, mas deu pra ter uma ideia de como o silverchair mudou muito de um disco para outro. Selecionei as músicas mais ‘lado b’, afinal, as ‘lado a’ ainda dá pra ouvir na rádio, né?

Este post foi especial para a Marcela Bianchini e Maira Frolini Pitta. E também para amigos de Silverchair Obsession Fan Club: Lara Tomazinho, Nena Accioly, Thaisa Contar, Jana Marcos, Carlos Howes e tantos outros que me ajudaram na época em que mantive o fã clube ativo! #chairkisses !

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