Greve: sindicato nega desabastecimento em postos

86

Antonio Archangelo

De acordo com o governo federal, 14 trechos de rodovias, em seis estados, continuavam com interdições dos grevistas
De acordo com o governo federal, 14 trechos de rodovias, em seis estados, continuavam com interdições dos grevistas

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região (Recap) negou na noite de terça-feira (10) que a greve dos caminhoneiros já teria provocado desabastecimento em postos de combustíveis. De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, “por enquanto não temos nenhum registro de desabastecimento nos postos associados ao Recap, nas 90 cidades”.

Na prática, muitos motoristas estão antecipando a compra de combustíveis devido aos bloqueios promovidos por caminhoneiros em estradas estaduais e federais. “O movimento aumentou”, disse um frentista consultado pela reportagem do Jornal Cidade, que preferiu não se identificar.

Ao visitar, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, as obras da Linha 4 do Metrô, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo não vai tolerar prejuízos à economia por causa da paralisação dos caminhoneiros, iniciada no dia 9 em alguns estados.

Dilma Rousseff afirmou que “interditar estradas, comprometer a economia popular, desabastecendo de alimentos ou de combustíveis, têm componentes de crimes já previstos. O que iremos impedir é qualquer prejuízo à economia popular, caracterizado pelo abastecimento de todo o país, às atividades econômicas e ao tráfego de combustível, que é essencial para vários setores. Isso não será permitido. Obstruir é crime. Afetar a economia popular é crime”.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou ontem que o governo editará uma medida provisória para endurecer as penalidades aos caminhoneiros que mantiverem os bloqueios de rodovias no país.

A multa para quem fizer os bloqueios aumentará de R$ 1.915 para R$ 5.746. Os organizadores de manifestações com bloqueio poderão ser multados em R$ 19.154.

GREVE

Durante o dia, os motoristas de caminhão realizaram um protesto no km 130 da Rodovia Zeferino Vaz (SP-332), em Paulínia (SP). O protesto contra o governo federal, aumento de impostos e combustíveis foi perto da Replan e teve início às 06h30 com cerca de 60 caminhoneiros.

Na noite de segunda-feira (9), motoristas fizeram um protesto na Rodovia Anhanguera, em Limeira. A manifestação durou três horas e no fim da noite as pistas foram desocupadas após um acordo com policiais e um advogado.

Segundo o líder do Comando Nacional de Transporte, Ivar Luiz Schmidt, que organiza o movimento, os protestos continuam em 14 estados, com 46 pontos de bloqueio. De acordo com os dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), as paralisações iniciadas na segunda-feira (9) continuam com o bloqueio parcial em sete estados. Entre os estados em que há manifestações estão Minas Gerais, Paraná, Tocantins, Santa Catarina, Ceará, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Os caminhoneiros afirmam que também fazem paralisações em São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Maranhão.

Qual sua opinião? Deixe um comentário: